CULTURA REGIONAL

A cultura regional agrega valor e é fonte criativa.
Parte do património de um povo é a sua diversidade cultural, que abrange vários aspetos e envolve diversas vertentes: Folclore, música, artesanato, modos e modas de vestir, gastronomia, manifestações religiosas, tradições e outras.
Dentro de cada país, há os usos e costumes da cada região.
São interessantes essas vertentes, pois oferecem fontes de vantagem competitiva pelo facto de, no geral, trata-se de formas de expressão distintas e únicas no país ou no mundo.
Entretanto, alguns desses aspetos, manifestações ou comemorações, não são por vezes muito valorizados pelos locais, daí algumas tradições estarem a perder-se. São nossas, estão à mão de semear, sempre lá. As pessoas crescem com elas e as rotinas tiram-lhe alguma importância. Por vezes são os turistas que lhe dão o devido valor. Há alguns casos em que essas manifestações são comemoradas com entusiasmo, fervor e orgulho do que é seu. Algumas destas culturas vêm dos tempos ancestrais.
As culturas do mundo são o agregado de variações regionais na cultura, tanto por nação como grupo étnico e mais largamente, por maiores variações regionais. As semelhanças na cultura muitas vezes ocorrem em povos geograficamente próximos.
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  FADO

Toiros e futebol, putas e fados, ligados entre si, são a nossa cultura, a cultura à portuguesa. Não podemos nem devemos esquecer as sardinhas e os jaquinzinhos, as ginjinhas, o cozido, as pataniscas de bacalhau e o copo de ”três” tinto.
Ouve-se por todo o país este tipo de música, mas é Lisboa a principal capital do fado. Também se canta o fado em Coimbra mas com características ligeiramente diferentes.
Trata-se de uma forma diferente e melancólica de interpretar cantigas tradicionais, acompanhadas por guitarra portuguesa e viola clássica. Os temas principais são: A paixão, o destino, o desgosto e a saudade. Pensa-se que as suas raízes venham das canções dos escravos ancestrais africanos.
Este estilo de música tradicional portuguesa é, igualmente, atribuído à saudade sentida pelos marinheiros portugueses que partiram nas naus dos descobrimentos, e que passavam períodos muito longos no mar sujeitos a condições terríveis.
Acima de tudo, para se apreciar verdadeiramente o fado, é preciso ambiente próprio, nas tasquinhas lisboetas, ou casas de fado como lhe chamam. Não deve porém faltar, a chouriça assada, o caldo verde e as garrafas de vinho sobre a mesa. Nos bairros antigos de Lisboa, existem ainda hoje, inúmeros restaurantes e bares onde se canta o fado.
Este estilo musical já está nos museus para quem quiser apreciar e compreender esta melancólica musica.
Raramente se refere a coisas boas ou felicidade. É sobretudo uma canção sobre a tristeza, o destino, a fatalidade que afetam diariamente as vidas de cada um.
Experiência marcante para quem assistiu ao vivo a estas complexas melodias dedilhadas na guitarras e saídas das gargantas dos fadistas de uma forma íntima.
Foi em Alcântara que Amália viviu e nasceu para o fado. Este bairro teve ainda o privilégio de ouvir os sons de muitos guitarristas.
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  TANGO

O tango é um dos ritmos mais bonitos e sensuais de todos os tipos de dança. É dos mais preferidos dos dançarinos de todo o mundo.
É conhecido como o ritmo característico da Argentina, mas também é do Uruguai. Mas a verdadeira origem está na África. Os negros escravos levados de lá para a América Central, levaram consigo seus principais costumes, dentre os quais uma dança denominada Tangano. Com a migração desses negros para o sul, o Tangano foi levado para a região do Rio da Prata, tornando-se muito popular entre as pessoas da zona portuária. Por volta do século XIX, o Tangano desenvolveu-se e ficou conhecido como o Tango Argentino.
A palavra tangó é de origem africana que significaria algo parecido a quilombo. Quilombo em português quer dizer lugar onde se agrupavam os escravos para dançar e executar os seus ritos religiosos.
A música do tangó era apenas com percussão. Estes escravos do litoral do Rio de la Plata por volta de 1850, eram imitados na sua forma de dançar pelos imigrantes do lugar.
Desta imitação, saiu algo original mas muito distante do tango que conhecemos hoje. O tango nasce primeiro como forma de baile, depois como música e por último como canção.
Inicialmente, o tango era apenas dançado por pessoas das classes mais pobres, pois eram discriminadas pelos ricos. No entanto, por volta de 1910, houve uma transformação de caráter no tango, o que o tornou perfeitamente aceito por toda a comunidade.
Naquela época formavam-se os primeiros grupos de tocadores de tango, cujo instrumento fundamental é o bandoneon, uma espécie de acordeão. Com tempo, foram-se juntando-se ao bandoneon o piano, o violino, a guitarra e o contrabaixo. O Bandoneon foi o último instrumento a incorporar a orquestra típica. No fim do século passado os conjuntos de tango eram de flauta e violão. Depois entrou o piano, o violino, contrabaixo e bandoneon.
Neste período, a música do subúrbio expandia-se a outros bairros de Buenos Aires, aos cafés, Zona Norte e lugares onde se dançava o tango. Antes ainda da Primeira Guerra Mundial, o tango foi muito difundido na Europa e Estados Unidos, conhecido a partir daí em todo o mundo e ocupando um lugar de destaque entre as danças de salão. Entre 1915 e 1925, o tango ganhou voz com o cantor Carlos Gardel, considerado o representante maior da música argentina, o tango. Características - Por muito tempo, o tango foi uma dança proibida, pelo facto de os casais se apresentarem com os rostos bem colados e em passos sensuais. A História do Tango.
O Tango é mais do que simplesmente uma postura precisa e um passo estável. Foi desenvolvido na Argentina e no Uruguai no século XIX. A dança Tango resulta da fusão de música europeia, africana e sul-americana. Naquele tempo, as pessoas começaram a sentir o Tango sob a pele. O Tango é uma forma de estar na vida, uma linguagem da alma.
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  TOURADA

A tourada ou corrida de touros como também lhe chamam, é um espetáculo tradicional de vários países latinos e latino-americanos. Faz parte da cultura e tradições desses países.
O espetáculo consiste na lide de touros bravos, usando técnicas conhecidas como arte tauromáquica.

Corrida de Touros à Portuguesa

Cavaleiro e o Touro.
Os trajes usados nas touradas à portuguesa, são do século XVIII. Já os forcados vestem-se como os rapazes dos finais do século XIX. No reinado dos Filipes, foram introduzidos pela primeira vez os coches de gala na arena.
É com as cortesias que se dá início à tourada à portuguesa.

A Lide a cavalo
Na corrida à portuguesa, são normalmente lidados seis touros, cada um por toureiros diferentes.

A Lide a Pé
Os touros são "lidados" por um toureiro a pé. Este usa uma capa (muleta) e um estoque (espada).

Pega de caras
Depois da lide do touro pelo cavaleiro, é usual entrar na praça um bandarilheiro fazendo manobras de diversão para posicionar o touro para a pega. Logo que isto aconteça, entram em cena os forcados. Estes enfrentam o animal com a força dos braços para o imobilizarem. São oito homens, sendo que o primeiro tenta agarrar-se ao pescoço do bicho escarranchado entre os cornos. Outro agarra-se ao rabo, e assim melhor o imobilizar.

Opiniões discordantes

Assembleia da República
É esta “cultura” que a Assembleia da República Portuguesa quer para Portugal, com a cumplicidade da RTP, uma estação pública de televisão. Chamo a atenção para o desespero deste ser, que não deu o seu consentimento para estar ali, naquele lugar, a servir de divertimento a sádicos e a psicopatas.

Chamam às touradas cultura!
Não admira que os governos torturem o povo com os seus desmandos e delírios governativos. Porque não permitir que se torture Touros e Cavalos, apenas para se divertirem? É a política da Cultura da Morte a funcionar em pleno.

«A cultura da morte»
Há quem considere que a tourada seja cultura, há quem a encare como tradição. Mas é apenas o que o homem tem de pior. David Andrade, jornalista do jornal PÚBLICO.

Descrédito
Apesar de um poderoso "lobby" proteger a causa em Portugal, os números revelam um acentuado decréscimo da atividade no nosso país: Há uns anos para cá as touradas têm diminuído.

Cultura e diversão
Sejam lutas de cães na América Latina, sacrifícios de animais em locais públicos do Nepal, combates de galos na Tailândia ou touradas na Península Ibérica, tudo se resume à tortura para diversão de humanos. Há quem considere que isso seja cultura, há quem o encare como tradição. A realidade é que isso é apenas o que o homem tem de pior».

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  NICOLINAS

Segundo rezam as crónicas, foi em Guimarães que nasceu Portugal. A 29 de Novembro de cada ano, iniciam-se as festas Nicolinas nesta cidade. Guimarães é uma das mais importantes cidades históricas do país, sendo o seu centro histórico considerado Património Cultural da Humanidade. Existe também uma possível candidatura das Nicolinas a Património Cultural, Oral e Imaterial da Humanidade.
As Nicolinas mas também as Gualtarianas, são das festividades regionais que mais marcam a cidade. As Gualtarianas são as festas da cidade em honra de S. Gualter. Por sua vez as Nicolinas, é uma tradição estudantil vimaranense. Esta celebração nos moldes em que se realiza atualmente, não é tão antiga assim. Há celebrações bem mais antigas por esse Portugal fora, que o povo perpetua sem saber bem porquê.
O povo português, assim como praticamente todos os latinos, tem a sua ancestralidade numa abundância de festas religiosas e pagãs dedicadas aos seus santos, verdadeiros ou falsos. Esses costumes ancestrais que alguns deles se perdem no tempo, fazem parte integrante da cultura do nosso povo. Muitas vezes estes festejos e folguedos, servem para mitigar as agruras da vida, ou para dar largas ao seu espírito ou ainda para expandir a sua alegria. São Festas aos patronos santos da sua devoção: Romarias que, na sua origem, foram produto do religiosismo mais ou menos sincero da alma simples de um povo e que, com o decorrer do tempo, foram tomando um carácter profano e de um modo geral mais ou menos lúcido e consciente.
Nicolinas – Festa dos estudantes da cidade de Guimarães. São festas únicas no país e no mundo e tem a sua origem na devoção religiosa dedicada a S. Nicolau que era oriundo da Ásia Menor e terá vivido nos séculos III e IV. Julga-se que terá sido Bispo em Mira, Turquia. Milhares e milhares de caixas e bombos emergem na noite do Pinheiro como que nascidos da terra, num rufar ritmado, mandando para o ar o toque Nicolino, onde estudante vimaranense que se preze tem de saber tocar.

ORIGEM DAS NICOLINAS

Mas vamos às origens e evolução das Nicolinas:
Festas dos estudantes da cidade e de toda uma classe. A classe dos “Nicolinos”.
Defendem alguns que a sua origem se perde no tempo. Será? Esta manifestação religiosa ou não, é imprecisa no que toca à sua origem. Mistura-se simbologia, orgulho vimaranense, ironia ou crítica social e muita irreverência, irreverencia esta por vezes desmedida nas noitadas e nos comas alcoólicos e rixas de pancadaria. Mas o mais importante, é a alegria contagiante que transmite.
O Pinheiro bem alto levantado ao céu, anuncia o começo das festas. De Norte a sul do país, neste jardim à beira mar plantado, Portugal, não há lugarejo que não tenha o seu costume, a sua lenda, a sua tradição, a sua festa religiosa ou não.
Do Minho ao Algarve, Açores ou Madeira, não há classe ou grupo social que não tenha os seus folguedos e cultos, desde a mais distinta classe social à mais humilde e analfabeta.
O culto a S. Nicolau terá chegado até Guimarães através dos peregrinos de vários pontos do país e do estrangeiro que aqui se deslocavam para venerarem Nossa Senhora de Guimarães (Padroeira de Portugal até ao século XVII), e também através da passagem de romeiros de/e para Santiago de Compostela que terão deixado como marca a sua devoção a S. Nicolau.
O dia mais importante destas festividades e que desperta mais interesse em todos os jovens da região é o dia 29 de Novembro. O dia do PINHEIRO.

O CARTAZ

- O Cortejo do Pinheiro - 29 de Novembro
- Ceias Nicolinas - 29 de Novembro
- Novenas - 1 a 7 de Dezembro
- Posses e Magusto - 4 de Dezembro
- Pregão de S. Nicolau - 5 de Dezembro
- Maçazinhas e Danças de S. Nicolau - 6 de Dezembro
- Baile Nicolino - 7 de Dezembro
- Roubalheira - Dia não divulgado.

O CORTEJO DO PINHEIRO

29 de Novembro.
A partir das 18 horas, a cidade enche-se de alvoroço.
Ao longe ouvem-se os repiques das caixas e bombos. Mais nítidos quando se aproximam. Uma mistura com o barulho das buzinas e dos motores dos carros em fuga para fora da cidade. Aqui e ali barretes nicolinos em muitas cabeças de populares. Cores vermelhas e brancas vão pintando de um colorido garrido muitos dos cidadãos que, de vários recantos da cidade vão desaguando nas praças e ruas da cidade. À porta dos restaurantes e tascas do burgo juntam-se à espera da janta da noite.
Caixas e bombos fazem ouvir o seu rufar, iniciando ensaios de “ranas e pranas”. O número de cidadãos vai aumentando. Várias gerações misturam-se nos vários grupos numa troca de abraços de saudade e boa camaradagem.
Não há restaurante ou tasca que não tenha uma tertúlia de estudantes, novos ou velhos a preparar-se para um dos rituais: a Ceia Nicolina à boa moda minhota: Rojões com castanhas e papas de sarrabulho bem regados com tinto carrascão de preferência, até dizer chega!
Urras e vivas a S. Nicolau: VIVA S. NICOLAU!!!, VIVAM AS NICOLINAS!!!
É impressionante como muitos milhares de jovens de várias gerações se misturam com os velhos estudantes para depois de satisfeitos os seus estômagos com a soberba ceia Nicolina e de matar saudades no encontro de velhos companheiros, sobem ao Cano para ir buscar o grande mastro da região, o Pinheiro Magno! Junto à igreja de S. Gualter, será levantado. Hirto e ereto lá fica, anunciando assim o início das festas.
“Ranas e pranas” acompanham todo o percurso enchendo o ar de sons, afinados a preceito, que se soltam de milhares de caixas e bombos que os nicolinos transportam e que se misturam com o chiar dos carros de bois que puxam o mastro. Aquilo é um bichinho que morde cá dentro. Ninguém consegue alhear-se daquele entusiasmo geral que enche todas aquelas almas.
Uma noite de irreverência, de novas experiências para os novos, de recordações para os velhos, em cada ano renovada, com vivacidade aumentada e rejuvenescido de um intenso fulgor.
O Pinheiro está ao alto!!! Viva S. Nicolau!!! Vivam as Nicolinas!!! As Festas dos Estudantes de Guimarães estão iniciadas.
Até 7 de Dezembro a cidade terá diversas metamorfoses com as diversas celebrações constantes do cartaz.

CEIAS NICOLINAS

A ceia da confraternidade.
Antigamente acontecia somente depois do “mastro ao alto” e de se ouvir o Hino Nicolino. A última “Zabumbada” rigorosa e bem afinada, era ali tocada a preceito. O povo comentava satisfeito.
Os estudantes partiam então para os recantos onde se preparavam as ceias: na Casa Piedade logo ali na Ramada ou na Joaninha na Oliveira. Ainda em algumas casas particulares aconteciam estas tertúlias pela noite dentro que com uma boas malgas de Tinto novo acompanhavam uns Rojões com Castanhas; umas Papas de Sarrabulho; umas Arrozadas de penosas; sardinhas assadas, broa e Caldo Verde...
Hoje a ceia Nicolina é o jantar que antecede a função, fazendo o tempo para o cortejo que lá, atrás do Monte Latino, aguarda a chegada dos tocadores enchendo o Campo de S. Mamede.
Hoje os Nicolinos enchem os Restaurantes da Cidade.
Fonte: Net NOVENAS E MATINAS

Novenas de Azurei ou de Azurém, freguesia a que pertencem, foram implantadas enquanto hábito cultural no século XVIII pela obrigação de “realizar missas cantadas todos os anos, a 7 e 8 de Dezembro pelos moços coreiros da colegiada” dedicadas à Padroeira N. S. da Conceição cuja Ermida estava implantada fora das muralhas da cidade, no alto da Silveira junto à estrada que já os romanos conheciam em direção a “Bracara Augusta”.
Seria uma forma de libertar em folguedos matinais (fora dos olhos do povo) os grilhões da ensinança a que os moços coreiros estariam sujeitos em juvenis manifestações matinais.
Os coreiros de sinetas barulhentas e os civis, outros jovens, zabumdando as caixas e os bombos ritmados a preceito nove vezes que os nove dias dos festejos assim obrigavam. Daí as novenas repetidas dia a dia.

MAGUSTO

Hábito herdado dos festejos a S. Martinho e que acompanham desde tempos imemoriais a festa a S. Nicolau, bispo, e que os moços de uma comunidade iam pedindo pau e recolhiam madeira e castanhas pelas casas e pelas confrarias e que no Rossio - a Praça maior - da freguesia faziam fogueira e assavam castanhas - o magusto - convidando todo o povo da freguesia.
O acontecimento principal da noite é o acender das fogueiras no rossio de cada cidade, no Ferreiro de cada aldeia ou lugar. Cada fogueira corresponde a um foco de sociabilidade e é uma vivência comunitária.
O uso ritual do fogo é também uma característica marcante da noite de S. Martinho a 11 de Novembro e da noite de Natal o S. Nicolau. Também nas casas onde foi acesa uma fogueira na noite de S. Sebastião, não entrará “fome, peste e guerra” quer isto dizer hoje: a pobreza, a doenças epidémicas e o recrutamento militar dos moços.
Na noite de S. Martinho, nas casas dos que podem, assam-se castanhas e batatas, ao lume, e o vinho novo corre em abundância. É necessário referir neste contexto, o significado simbólico do vinho: “o vinho é símbolo do orgulho e do valor dos homens da casa, e é oferecido a todos os visitantes. A falta do vinho em casa, é motivo de particular vergonha para o camponês. A noite de S. Martinho celebra assim, o êxito da casa na sua reprodução, em termos quer da sua alimentação, quer da sua posição social ao longo de mais um ano”.
Nas Nicolinas este número tem origem no dízimo de Urgeses que o Capítulo dos Cónegos teria atribuído aos jovens coreiros da Colegiada e que, depois de o receberem na dita freguesia, desciam à cidade pelo lugar da Cruz de Pedra indo desaguar no Rossio do Toural.

POSSES

As posses remontam ao Convento das Claristas. Lá aconteciam festas onde participava toda a classe fidalga do burgo e onde apareciam doces confecionados pelas próprias freiras.
Claro que sendo as Nicolinas uma festa de jovens, obvia se percebe a simpatia das freiras pelos estudantes que lhes dedicavam serenatas e danças e apelavam à “posse” de confeites e encartuchados — os doces da antiga costumeira.
As Posses foram ao longo dos tempos sendo apropriadas pela cidade e foram muitas aquelas que ficaram famosas:
Há Posses que descem atadas ao cordão...
Há outras, de vitualhas, de pôr a boca molhada e que logo ali são petiscadas.
Posses há-de fazer tremer o coração.
Há Posses apresentadas à sacada.., com mais ou menos decoro. Há Posses que descem à rua e de lume são cercadas.
VENHA A POSSE!!... E VENHA A POSSE!!... A POSSE É NOSSA!!! As Posses são pois, bandos de estudantes que, com a tocata acompanhando a esturdia ao som do hino Escholástico, vão a cada casa ou estabelecimento combinado, buscar ou aguardar a Posse quase sempre bem “gritada”. Dádiva generosa para a ceia daquela noite de convivialidade.

PREGÃO DE S. NICOLAU

Bando Escolástico ou Pregão. Tal qual se fazia no século XVIII, com o pregão real. Os estudantes em grande grupo e com toques de caixa repicada e bombo ritmado, agreste e barulheira própria, apresentando-se à cidade apregoando as suas reivindicações e apresentando as suas críticas e desejáveis aspirações para o futuro.
Há quem diga que a verdadeira história do pregão Nicolino remonta propriamente ao século XVI à tradicionalista Universidade de Salamanca. De facto, segundo o Estatuto de 1536 desta Universidade em determinadas festas reguladas pelo calendário da Igreja saíam a público os estudantes dos vários colégios recitando nas ruas perante grandes auditórios, discursos que mais pareciam lições práticas de aluno Universitário. Ora, em Salamanca foram muitos os estudantes Portugueses que lá se formaram conforme vem referido na História de Portugal, de Rebelo da Silva no capítulo da Restauração: Os escolares Portugueses que frequentavam em Salamanca os estudos superiores, eram mais de quatrocentos. Muitos alunos para a época e uma importante informação já que, muitos destes alunos eram jovens vimaranenses, e foi de Salamanca que vieram os professores para a criação do Colégio Universitário da Costa, fundado por D. João I sendo o mais referido D. Diogo de Murça que, ao fim de 14 anos, iria definitivamente para a Universidade de Coimbra.
O pregão era então à época, o Bando Escolástico, com epigramas satíricos aos costumes; alusões picaras aos sucessos escolares; amavios românticos às damas; coriscadas virulentas aos intrusos; panegíricos Cainonianos aos Deuses gentílicos; brejeirices picantes às criadas e costureiras; facécias críticas aos governantes municipais, pançadas risonhas aos burgueses; hossanas campanudas à política de cada época.
Enfim, trajados de trabalho: camisa branca e lenço tabaqueiro; calça escura e barrete português de cores republicanas, as caixas e bombos antecedendo o porta-bandeira a cavalo. Aproxima-se então o carro pregoeiro com a multidão aconchegando-se para ouvir os ditos, dichotes gritados a plenos pulmões pelo pregoeiro.
A multidão vive o momento em cada praça e recanto da cidade, num dos sete momentos em que o Pregão é repetido até ao anoitecer do dia 5 de Dezembro.
Ah… em 2012 o pregoeiro foi o meu sobrinho André Mendes.

MAÇAZINHAS

São a alma essencial das Nicolinas numa relação natural da descoberta do homem e da mulher. Cumpre-se aqui o ciclo natural do acasalamento no solstício de Inverno. O jovem oferece na ponta da lança a maçã - símbolo do pecado original - à menina da janela que a rejeita ou lhe oferece em troca a prenda. A fálica lança está engalanada de fitas coloridas oferecidas pelas outras meninas das suas relações. A grande fita do laço, mais larga que ata as restantes, é oferecida pela mãe ou pela namorada comprometida. A razão do compromisso entre o masculino e o feminino que neste acto público se exprime está ligado à relação social e de maternidade.
Esta Reconstituição criada pela imaginação popular e juvenil refere-se ao milagre do Santo da Salvação das Virgens. É o centro das Nicolinas e realiza-se sempre na tarde do dia 6 de Dezembro, com um cortejo de apresentação dos jovens mascarados e travestidos. Percorre as ruas da cidade e antecede o erguer das lanças com a maçã na ponta à procura da “prenda” especial daquela menina ou dama, por quem o jovem arde de paixão. Hoje está esta tradição no coração do centro histórico: a Praça de Santiago e o Largo da Oliveira.

DANÇAS DE S. NICOLAU – COMÉDIAS

As danças começaram por ser apresentadas em cena publica no Rossio do Toural, na Praceta do Convento das Claristas ou nos Pátios e casas Senhoriais.
O Estatuto da Irmandade do Século XVII indica já num dos seus capítulos a maneira como os estudantes obtinham meios de receita para a festividade.
A exploração de Comédias e Danças pelos escolásticos e sua organização possibilitaram a construção da Capela de S. Nicolau anexa à Colegiada e hoje novamente restaurada.
Em 1738 terminou esta prática empresária de explorar representações críticas e coreográficas. Em 1972 recreou-se este número das Danças que se realizaram no Cine - Teatro Jordão embora em anos anteriores tivessem esporadicamente sido apresentados por grupos de estudantes.
Desta última série de representações há figuras que se destacaram pelo contributo às Nicolinas: O Afonso Henriques (Zé Maria Magalhães), a Mumadona, o Alcaide, o Bobo, S. Nicolau (Alexandre Rodrigues), a Minerva, o Gil Vicente, o Povo, as Mulheres, os Coreiros. Um espectáculo somente de homens que se “travestem” em diferentes personagens. Uma noite de saudável humor e Sátira Social, de critica aos acontecimentos do ano na cidade que cada vez tem mais aderentes e que só se representa uma vez.
Pena que o Jordão já não exista!!!

ROUBALHEIRA

Remonta a uma série de diversões Sanjoaneiras do mundo rural e que como tantos outros hábitos foi caindo em desuso. O seu objetivo era fazer desaparecer objetos mais como “partida” ou brincadeira do que intenção verdadeira. Uma “justiça” caseira que fez tradição. Claro que a comunidade procurava ter algumas precauções mas os vasos janeleiros, eram sempre a grande e principal vitima desta brincadeira. A Roubalheira finou-se pelo aproveitamento que “amigos do alheio” faziam desta noite, indevidamente, em 1972.
Hoje as roubalheiras foram propostas na tradição, sendo os seus autores, a Comissão dos Novos de 1997, com o jovem e respeitado presidente Lobo, mas somente foram concretizadas em 1998 pela insigne comissão do presidente Miguel.

BAILE NICOLINO OU BAILE DA SAUDADE

Baile. Hoje tenta-se refazer com algum rigor o baile do fim do século XIX. Embora com aspeto decadente, ele pretende fundamentalmente ser uma recriação dinâmica como pretexto para um são convívio e reencontro fraternal onde se faz a apologia das relações entre os homens. Elas deixam-se levar rodopiantes ao som da valsa ou nos rompantes do tango...
Eles aprumam-se como cavalheiros, com tiques discretos em toques de colarinho ou punhos da camisa, concentrados na tarefa de não pisar a dama que seguram nos braços delicadamente... e revêem-se velhos amores interrompidos, cenas de ciúmes escondidas e paixões que chegaram a queimar corações.
A música de outros tempos, de todos os tempos, paira no ar à mistura com as conversas discretas, as gargalhadas brejeiras e os sorrisos de saudade e dançam-se os Boleros, as Valsas, o Chá-chá-chá, as Rumbas e depois os Slows dos Beatles ou o Rock dos anos 70. Hoje tudo é mais calmo. Uma noite onde com rigor e protocolo se realiza uma ceia e um baile da melhor confraternidade, reencontro de amigos e de companheiros de outros tempos onde pontificam as recordações dos amores e paixões que se entregam com saudade. Fonte de ajuda: Net aqui




  GALO DE BARCELOS

LENDA DO GALO DE BARCELOS OU MILAGRE DO ENFORCADO

Anda associada ao cruzeiro seiscentista que faz parte do espólio do Museu Arqueológico da cidade, a curiosa lenda do galo. Segundo esta lenda, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não se ter descoberto o criminoso que o cometera.
Um certo dia, apareceu por lá um galego que acharam ser suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém acreditou nele. Para eles, não era crível que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela em cumprimento duma promessa, que fosse fervoroso devoto do santo que em Compostela se venerava, assim como de São Paulo e de Nossa Senhora.
Por isso, foi condenado a morrer na forca. Mas antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Foi-lhe concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava na companhia de alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes na sala, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou:
- É tão certo estar inocente, como certo é esse galo cantar aquando do meu enforcamento.
Risos e comentários jocosos dos presentes não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível, tornou-se, porém, realidade!
Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz correu à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. Imediatamente solto, foi mandado em paz.
Passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor à Virgem e a São Tiago.

ROSA RAMALHO, A ARTESÃ DE BARCELOS

Figura incontornável da olaria barcelense. Artista do artesanato local. Construiu imensos bonecos em barro, e entre muitos, o célebre galo. Tornou-se um símbolo local, nacional e internacional daquela arte.

ARTESANATO
O Museu de Olaria de Barcelos expõe periodicamente uma coleção de peças desta artista artesanal. Rosa Ramalho, nasceu há mais de 120 anos. Há muitos colecionadores desta expressão única da arte popular.
Foi descoberta na segunda metade da década de 1950, quando um grupo de alunos da escola de Belas-Artes do Porto, e seguindo a intuição do pintor e professor António Quadros (1933-1994), se deslocaram a S. Martinho de Galegos, uma freguesia de Barcelos, em busca da verdade da arte popular. Foi assim que Alexandre Alves Costa, arquiteto mas também colecionador e, principalmente, um amador do figurado de Barcelos, conheceu Rosa Ramalho (1888-1977), então uma anónima barrista como tantas outras que faziam a fama de uma terra que exibia as cores e as formas do seu imaginário nas bancas da feira semanal, todas as quintas-feiras.
"A Rosa Ramalho era uma personagem muito interessante. Era uma mulher do campo, igual a todas as outras, com uns olhos que não enganavam ninguém, e que eram absolutamente excecionais de finura, de inteligência e de esperteza".
Foi António Quadros quem retirou a arte e o nome daquela artesã do anonimato, depois de a ter visto, um dia, a fazer um boneco em barro com uma agilidade desconcertante, na feira das Fontainhas, no Porto. Antes de se iniciar nesta arte, Rosa dedicou-se ao trabalho de moleiro até à morte do seu marido.
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  FÁTIMA

A religião e principalmente a católica, está entranhada na maioria da população portuguesa.
Muitos e muitos portugueses e não só, são devotos de N.S.Fátima. Fátima é uma cidade portuguesa, sede de freguesia, subdivisão do concelho de Ourém, com 71,29 km² de área e 11 596 habitantes (2011). Densidade: 162,7 hab/km².
A sua fama mundial deve-se ao fato de que, a 13 de Maio de 1917, a Virgem Maria apareceu aos pastorinhos, na forma de Nossa Senhora de Fátima.
A nível eclesiástico, a cidade é simultaneamente sede de diocese com a cidade de Leiria. O nome foi modificado pelo papa João Paulo II a 13 de Maio de 1984. A única paróquia existente na cidade tem como orago Nossa Senhora dos Prazeres. A freguesia da Serra, como era originalmente conhecida fora desmembrada da Colegiada de Ourém no ano de 1568.

HISTÓRIA:
O nome da cidade (antigamente aldeia e depois vila) vem do nome árabe Fátima (Fāţimah.
Existe o conto não confirmado que a topónimo deriva de uma princesa moura local de nome Fátima que, depois de haver sido capturada pelo exército cristão durante a reconquista, foi dada em casamento a um conde de Ourém. Aceitando o cristianismo, foi batizada recebendo o nome de Oriana em 1158. Às terras serranas o conde deu o nome de Terras de Fátima, em memória dos seus ancestrais, e ao condado o nome de Oriana, depois Ourém.
Tornou-se mundialmente conhecida pelas aparições marianas aos três pastorinhos (Lúcia, e seus primos Francisco Marto e Jacinta Marto), que aí tiveram lugar entre 13 de Maio e 13 de Outubro de 1917, no lugar da Cova da Iria. A construção do Santuário de Fátima trouxe desenvolvimento ao local, logrando ser elevada a cidade em 12 de Julho de 1997.
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A FÉ E OS LIMITES!... Diz-se e é uma grande verdade, que a fé move montanhas. Muita gente caminha dezenas e centenas de quilómetros em peregrinação para cumprir as promessas feitas à Senhora de Fátima na fé e na esperança que Ela cure os seus males e ajude a resolver os problemas mais difíceis.
No desespero, prometem sacrifícios quase impossíveis de cumprir. Vencem caminhos, montanhas e vales, e lá vão empurrados por essa fé inabalável. Muitos destes peregrinos, chegados ao santuário, ainda conseguem andar de joelhos até ficarem com estes em ferida! Com a ajuda da fé, fazem um rigoroso teste aos seus limites, por vezes até no limite da sua resistência!