Minhas raizes                                                                                                                            
Sobre Mim

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BEM VINDOS

Olá a todos!

Presente / Passado


2013.Março.26.
Hoje eu acordei e fiquei deitado na cama, a ouvir a chuva bater na janela. Comecei a pensar na minha cara-metade deitada e a dormir ao meu lado. Não se sente bem. Descomprimiu demais nestas pequenas férias da Páscoa. Falta-lhe a adrenalina das rotinas do trabalho.
Enquanto no aconchego dos cobertores, saboreava o barulho dos pingos da chuva batendo na vidraça, vieram-me à memória algumas lembranças do passado.
Tem piada, essa coisa de lembrar e pensar no passado! Acho importante lembrar os bons e menos bons momentos ao longo da nossa existência. Os momentos alegres de grande felicidade, assim como os de tristeza e até de arrependimento pelas acções menos boas feitas nesse passado.
São raras as vezes em que as memórias nos trazem aqueles factos que não tiveram no dia-a-dia grande relevância na nossa vida. A nossa memória guardou apenas os momentos mais interessantes que interessam realmente recordar.
Sem que percebamos a nossa mente, tudo que é importante fica guardado num espaço pronto a aflorar as respectivas lembranças. Provavelmente é por uma questão de compactação de dados. Tudo que não é considerado importante vai sendo compactado numa massa amorfa de pensamentos, ideias e lembranças e varrido para debaixo do tapete da nossa consciência. Mas essas coisas não desaparecem. Elas estão lá, no escuro sótão das memórias do passado.
Após estes pensamentos, fiquei uns instantes a olhar para o teto, absorto em outras recordações. Mergulhei um pouco nas profundezas das minhas memórias e fui buscar algumas situações bem distantes. Foram situações comuns sem destaque de maior para a maioria das pessoas, mas que foram muito importantes na minha vida, que por alguma razão ou inspiração de momento, consegui realizar. Obviamente que foram pequenas e sucessivas realizações, que lutei para que algumas acontecessem e outras vieram por mero acaso parar-me às mãos. Algumas desagradáveis também aconteceram, que podia e devia ter evitado. Por qualquer razão não consegui, e fiquei por vezes triste por isso. Mas o balanço é francamente positivo, pois as coisas positivas que realizei, foram de longe superiores às negativas, o que me deixa orgulhoso e tranquilo.
Como a minha, a mente de muitos funciona assim!


A chuva


Enquanto estava no quentinho da cama, com pensamentos vários na minha mente, o vendaval de chuva a cair lá fora e de uma forma muito certinha continuava. Absorto nesses pensamentos, sou chamado à realidade pelo Zullu, o nosso cão shar-pei. Estava na hora de o levar à rua. Com esta chuva toda sem sinais de parar, não sei como o vou fazer. Tenho de encontrar uma solução. E encontrei, meti-me à chuva. Encharquei-me e encharquei o cão.
Não está frio, mas a Primavera entrou molhada. O Abril águas mil, chegou uns dias mais cedo. Esta situação faz-me recuar aos tempos de Angola. Lembrei-me do calor, do cacimbo, do lindo pôr-do-sol na ilha de Luanda, mas também das chuvadas tropicais, que em alguns casos, arrasavam tudo à sua frente. A chuva imponha respeito e era respeitada.
Naquelas paragens, o sol incidia mais forte na terra e na cabeça das pessoas. Dava para suar em bica a quase desidratar. À noite não era fácil adormecer por causa do calor.
Mas voltando à chuva, lembrei-me duma carga que há muitos anos desabou sobre Luanda que arrasou parcialmente a baixa da cidade. Aconteceu durante a noite. Foram apenas algumas horas! Foi assustador.
Nessa manhã, já o temporal tinha terminado e deixado o seu rasto de destruição, quando o patrão apareceu no escritório com as suas calças pintadas até aos joelhos de terra barrenta, que nos espantou a todos. Tinha sido apanhado na enxurrada, pois andou durante a noite no palco daquela destruição. Imaginem aquele senhor que gostava de vestir à moda antiga, quase sempre de fatinho branco à boa maneira tropical, com as calças naquele estado e o casaco salpicado daquele barro líquido avermelhado!
Eram assim as tempestades tropicais.


O Curso


Mais recentemente, há cerca de dois ou três anos, inscrevi-me naquele curso. Surgiu por acaso. Como estava desocupado, resolvi enfrentar este desafio. Nada tinha a ganhar nem a perder. Foi puro desafio e vontade de saber mais sobre a informática. Porquê? Não sei. Sei apenas que precisava sair daquele marasmo e de conviver com pessoas com os mesmos gostos. Os milagres da informática sempre me fascinaram.
Teve altos e baixos, coisas boas e menos boas. Não foram fornecidas grandes condições. Travamos algumas lutas para conseguir o mínimo dessas condições. Mas apesar de alguns contratempos, foi positivo. Revemos e consolidamos alguns conhecimentos entretanto adquiridos. Algumas matérias eram completamente novas para a maioria.
O HTML foi o abrir da porta para a viagem rumo à Web. Essa viagem foi fantástica e de um crescente entusiasmo.
O Web Design é um fascínio. A construçao e conclusão de páginas web são momentos de criação. O Html é o princípio de todas as linguagens web!


As Raizes


Quando falo das raízes, falo das origens, dos costumes e das tradições, mas também daquelas raízes que se criam com as amizades, com os locais de adopção e com outras situações com que deparamos no percurso da nossa vida. Há situações que vêm dos tempos ancestrais, outras pegam de estaca e criam raízes em outros locais.
As minhas origens ou raízes mais profundas, estão nas terras de Lanhoso, mas já criei raízes em outras paragens. Peguei de estaca por onde passei: Angola e Guimarães.
Mas voltando às origens, as minhas lembranças são um pouco dispersas. Saí pequeno da Póvoa de Lanhoso com a memória limitada à idade e com poucas coisas e próprias dessa idade. Apenas me lembro que era uma criança traquina, que fazia muitas asneiras e apanhei monumentais tareias por isso, e que não foi uma infância fácil.
Em Angola criei outro tipo de raízes. Vivi lá muitos anos e a minha vida ficou mais que enraizada naquelas paragens.
Tive de voltar para desenterrar algumas das raízes de origem e satisfazer a curiosidade para saber de onde viemos.
Bom ou mau não podemos renegar o nosso passado. Todos temos uma história de vida! Não ter passado, é sofrer de Alzheimer.

A ESCOLA!...

Memórias daqueles tempos:
Nasci e vivi durante os primeiros dez anos da minha vida em Fontarcada. Vou iniciar uma viagem no tempo, e irei até onde a memória me deixar.
Ao recuar no tempo, só me consigo lembrar da minha existência, a partir de quando tinha cerca de sete anos de idade. Residia com meus pais e muitos irmãos num enorme casarão.
A escola distava mais ou menos um quilómetro do lugar onde vivia. Juntamente com outras crianças, fazíamos aquele percurso todos os dias quer estivesse frio ou calor. Algumas destas crianças, já vinham dos extremos da freguesia. Uma destas, foi durante algum tempo meu companheiro de carteira. Não sei como e porquê, apercebi-me que era muito pobre. Não tinha tempo de ir a casa, e portanto, não comia à hora do almoço. Naquele tempo não havia cantinas. A partir dali, passei a levar um naco de pão (broa) no bolso ou na sacola dos livros para dar a esse meu companheiro. Sentia-me feliz por poder ajudar. Foi assim até à quarta classe. A partir daí nunca mais o vi.
Mas voltando àqueles tempos, no caminho para a escola, passávamos numa casa senhorial. Nesta casa viviam uns fidalgos que, por acaso eram boas pessoas. A nosso pedido, deixavam um grande grupo de crianças da escola, apanhar as laranjas que entretanto tinham caído das laranjeiras. Naqueles dias era um fartote para todos daquela fruta.
Esses fidalgos tinham uns filhos em Angola. Todos os anos durante alguns anos, vinham pelo Natal visitar os pais. Traziam uns carrões que nos deixavam a todos de boca aberta. Grandes e de cores muito garridas. Tinham filhos pequenos que se misturavam connosco aquando das idas para a escola.
No dia seguinte à vinda do "Menino Jesus" com as prendas de Natal, essas crianças ricas, vinha mostrar-nos os brinquedos que o “Menino” lhes tinha dado. Brinquedos sofisticados, cheios de luzes a acender e a apagar, que nos deixou boquiabertos.
Lembro-me perfeitamente que fiquei revoltado com o "Menino Jesus". Ainda não havia Pai-Natal. Fiquei revoltado, porque achei que “Ele” não tinha necessidade de ter dado aquelas prendas caras, pois os pais eram ricos e podiam muito bem comprar. Devia sim, dar aos pobres que não tinham possibilidades de as adquirir. O “Menino” não era justo. Era assim a minha santa inocência!
Mais tarde descobri que não era o "Menino Jesus", mas os pais que davam aqueles presentes. Eureka, descobri! Eufórico e orgulhoso, fui a correr contar. Arrependi-me durante algum tempo, pois deixei de receber prendas de Natal.
O recreio da escola, era um espaço público em frente à mesma. As raparigas brincavam sobretudo ao jogo da macaca. Os rapazes brincavam ao jogo dos botões, do pião e faziam corridas. De longe-a-longe, descarregavam toros de madeira nesse espaço. Com dois toros à distância um do outro, competíamos para saltar o mais longe possível. Fui eu que consegui saltar a maior distância. Era salto em comprimento, só que não sabíamos!

USOS, COSTUMES E TRADIÇÕES

Os usos, costumes e tradições, passam de geração e geração por via oral ou escrita, mas principalmente pela voz do povo.
Como alguém disse muito a propósito, as tradições representam a alma dum povo. Imprimem identidade e carácter, e constitui o orgulho de qualquer comunidade.
Poder-se-á dizer que as tradições alimentam o imaginário da população.
Ouve-se amiúde dizer que a tradição já não é o que era. E na realidade não é, pois muitas delas perderam o significado. Muitas outras vão pelo mesmo caminho. A voragem do tempo não perdoa, embora algumas vão conseguindo resistir às mudanças operadas na sociedade. Pelo menos respeitam a memória duma geração.
Devemos preservar os nossos indícios históricos. É uma questão cultural, de identidade e de turismo.

A MATANÇA DO PORCO!...

Que me lembre, tinha mais ou menos sete ou oito anos quando tive a primeira experiência com a matança do porco.
Em negócio ocasional ou na feira, os meus pais compravam um leitão para criar. Seria todo o ano bem alimentado para crescer e engordar para na altura certa, Janeiro ou Fevereiro, estar pronto para ir à faca.
Naquele inverno, o porco estava no ponto certo. O meu pai contratou uns fulanos profissionais no assunto para procederem à matança. Naquele tempo e com aquela idade, apercebi-me da presença daqueles senhores logo pela manhã. Curioso como era, andei sempre por perto sem os perder de vista. Uma conversa entre eles, deixou-me com a pulga atrás da orelha.
Vamos matar o bicho - ouvi-os dizer.
É agora que vou ver a matarem o porco – pensei.
Não se aperceberam da minha presença, pois não deixavam crianças verem aquele espectáculo.
Não se dirigiram para o local onde estava o animal, mas para a tasca mais próxima.
Intrigado como fiquei, segui-os!
Já na tasca, pediram broa e cálices de aguardente. Continuei intrigado, pois não estava a perceber nada!
Soube a seguir que aquilo que comeram e beberam é que era “matar o bicho”! Matar o bichinho que roía nos seus estômagos. Era a sua primeira refeição da manhã. Não usavam o vocabolário "pequeno almoço". A passo lento, dirigiram-se para o local do trabalho para o qual tinha sido contratados.
Meio escondido, assisti agora sim, à verdadeira matança. Fiquei horrorizado com os estertores do porco lutando contra a morte, mas não arredei pé. Jorrou muito sangue em catadupa para um enorme alguidar, depois o bicho ficou inerte. Alguém agitava com frenesim o sangue para não coalhar. Com tochas de colmo (palha seca de centeio) queimaram-no e rasparam-no.
Das suas entranhas, fizeram enchidos e das pás e pernas presuntos.
As carnes salgadas e conservadas, iriam fazer parte do consumo alimentar da família durante o ano.
Foi um acontecimento na aldeia. Veio muita gente ajudar.
A minha mãe fazia com mestria os diversos enchidos. Misturava as várias carnes com os temperos, deixando-os marinar durante algum tempo. Fazia umas farinheiras especiais e umas alheiras deliciosas. Naquela altura, o fumeiro estava cheio de variados enchidos. Passado algum tempo, viam-se os presuntos pendurados a secar. Grandes talhas de barro, cheias de salpicões mergulhados em azeite para se conservarem. Os rojões eram conservados em banha solidificada, em grandes recipientes.
E foi assim a minha prematura experiência com a matança do porco.

Outros temas sobre usos e costumes se seguirão.
Aguardem.
Obrigado
Matos

 


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