OUTROS ECOS
OUTROS TEMPOS - TEMPOS IDOS


TOURS
Por Mattusstyle

VISITA A TOURS - FRANÇA!

VIAGEM

Em 1997 mais ano menos ano aconteceu uma situação inesperada. Por esta razão, fomos convidados a passar uns dias em França a convite de um familiar lá residente. Apenas quatro ou cinco dias. Tours é o destino.
Aproveitaremos para conhecer aquelas paragens. Tudo pronto lá fomos.
Um 707 da TAP transportou-nos de Pedras Rubras até Orly. Nenhum de nós tinha estado em França. Foram experiências novas. Do avião saímos através duma extensa manga direitinhos ao sector das valises. Em Portugal dizem malas.
O dito familiar e um amigo esperavam para nos levarem de Paris a Tours, cerca de duzentos quilómetros. A noite já ia alta quando iniciamos a marcha. Chegamos a Tours de madrugada. Aproximava-se o final de Dezembro. A temperatura estava muito baixa, graus negativos.
A casa estava situada na zona histórica da cidade. Esta e muitas outras eram construídas com pedra calcária. Não tinha grandes condições, mas tinha aquecimento fornecido por um fogão a lenha, aceso noite e dia.

ESTADA
Tirando o primeiro dia, nunca comemos uma refeição digna desse nome. Petiscamos. Baguetes de pão, fiambre, queijo, camarão, patés, saladas compradas feitas e ostras foram a nossa dieta para aqueles dias. Bebia-se vinho, panachés, colas e água.
Num determinado dia, levou-nos às compras ao Auchan. Tal como o Alcampo em Espanha e o Jumbo em Portugal, não fizessem eles parte do mesmo grupo! Tiramos umas fotos no parque e nada mais se passou que mereça realce.
Tiramos mais algumas fotos num jardim da cidade. O nosso filhote tinha sete aninhos na altura destes acontecimentos.
Numa daquelas manhãs acordamos todos bastante cedo. O familiar precisava de ir algures a uma quinta naquele Vale-du-Loire, comprar vinho. Deixou-nos no Continent nos arredores da cidade e lá foi à vida dele. Só viria ao fim da tarde. Entregou-nos alguns francos para comermos por lá. No pequeno centro comercial `entrada do hipermercado, havia apenas duas casas de comidas, o Flunch self-service e o Mac. Numa olhadela aos tabuleiros das pessoas que saíam do Flunch, não gostamos do especto das comidas, pois eram muito esquisitas. Não tivemos remédio senão comer hambúrgueres. Demos uma voltinha no híper e reparamos que nos topos das prateleiras estavam expostos produtos de vários países. Num desses topos lá estavam artigos típicos portugueses.
O velhote (familiar) cultivava uma horta biológica na periferia daquela cidade. Chamavam àquelas hortas jardins. As pequenas casinhas onde guardavam as alfaias, eram todas iguais quanto à construção mas pintadas de diferentes cores. Vistas à distância, era um aglomerado multicolorido muito bonito!
Ainda na periferia numa outra direção, havia um grande lago que era ponto de passagem de muitas espécies de aves migratórias, mas principalmente variedades diversas de patos.
Num dos centros da cidade, talvez o mais bonito, há um carrocel estilo antigo, até parece um brinquedo saído do baú guardado no sotam de qualquer família, mas em ponto grande. Muito giro! Como não podia deixar de ser, o FM deu uma voltinha.
Passamos na Michelin naquelas redondezas, onde noutros tempos o velhote trabalhou. Só vimos de fora.
Em algumas horas daqueles dias, era uma autêntica pasmaceira! Por esta razão resolvemos uma certa noite dar uma voltinha a pé. Percorremos algumas ruas, passamos junto à Gare e entramos num centro comercial. Espreitamos as lojas de pronto a vestir normais e de alta-costura. Olhamos as montras das perfumarias, os ditos perfumes de Paris, mas estes eram caros como a mer…, mais que em Portugal. Nível de vida!...
Fomos a um Mac comer. Ensaiei o meu melhor francês para nada. A menina que nos atendeu era inglesa e o francês dela era pior que o meu. Como a colega do lado era francesa, veio em socorro e entendemo-nos.
No regresso ao ninho perdemo-nos. Demorou um pouco a encontrar a casa mas conseguimos.

RICHELIEU
Dois senhores franceses amigos e conhecidos do velhote, o Maurice e o François (homossexuais), juntaram os trapinhos. Um gerente de hotel reformado. O outro chefe de finanças também reformado, deixaram o bulício das grandes cidades e foram viver para Richelieu, pequena cidade a mais ou menos setenta quilómetros de Tours. Eram muito porreiros. Fomos convidados para lá ir almoçar.
Um dia de manhã entramos todos no mercedes e iniciamos a viagem para lá. Quintas e mais quintas no percurso numa planície de alguns quilómetros. Richelieu foi mandada construir pelo Cardeal com o mesmo nome, para os seus apaniguados. Em algumas ruas, muitas daquelas casas estavam em ruinas. Muitas delas foram compradas e recuperadas. A casa do Maurice era uma delas. Recuperou-a e ficou muito bonita. Algumas delas, senão muitas, não tinham janelas viradas para a rua. Um portão de acesso a um jardim e à garagem. As portas e janelas estavam viradas para esse jardim.
Quando finalmente, achamos que iriamos comer uma refeição decente, isso não aconteceu. Balde! Anunciaram o prato de peixe. Era uma empadinha de creme de peixe. A seguir um bocadinho de cabrito pouco com uma salada que mais pareciam folhas de oliveira, intragáveis. Que fominha!
O François estava a reconstruir uma outra casa mais à frente. Fomos ver. Eram lindas aquelas casas!
O Maurice era um devoto ferrenho de Nossa Senhora de Fátima. Tinha muitos vídeos sobre este assunto. Na sala tinha um lindo piano antigo de cauda. Tocava umas coisas. O FM tentou tirar umas notas mas não saiu nada. O Mourice pensou que ele gastava de tocar e ofereceu-lhe um pequenino órgão.

A meio da tarde regressamos e deixamos os amantes entregues um ao outro. Que riquinhos!

CHATEAU DE CHENONCEAU
A seguir fomos visitar um castelo “Chateau de Chenonceau”, a cerca de uma hora de Tours indo de comboio. No Vale-du-Loire, está a maior concentração por metro quadrado de castelos deste género. Este castelo é muito bonito e elegante. Toda a sua arquitetura é espetacular. Todo ele vai de margem a margem do rio Cher. Por dentro é um mundo. É tudo em grande. Um das lareiras tinha três metros de largura por um de fundo. Os jardins lindíssimos e bem tratados. Vários ramais do rio Cher rodeavam o castelo como que uma primeira resistência aos invasores. Várias aves migratórias faziam ali pausa. Uma pequena floresta faz parte daquele conjunto. Ao lado mas no mesmo recinto, um museu de cera, que por falta de tempo e eram caras as entradas, não visitamos.

REGRESSO
No dia marcado, levaram-nos a Paris para apanhar o avião de regresso. Passamos por Bloi, na zona de Le Mains e andamos na circular de Paris. Não se sentiram à vontade para conduzir no centro da cidade. Por isso tivemos de nos contentar a ver de longe a Torre Eiffel. Do mesmo modo os Champs Elysées, o Arco do Triunfo e outros pontos importantes. De Paris pouco vimos ou nada!
Seguimos para Orly. Andamos num comboio sem condutor para nos deslocarmos dum ponto ao outro do aeroporto. Já na sala de embarque, procurei sem sucesso nas free-shops um vinho muito bom que bebi na casa da madame senhoria do velhote.
O regresso foi atribulado. Houve muita trepidação devido a vários poços de ar na rota. Compramos tabaco perfumes e pequenas lembranças no avião. Sempre é mais barato!
Chegamos sãos e salvos a Pedras Rubras. Estavam familiares à espera para nos transportar a Guimarães. E assim chegou ao fim a nossa aventura francesa.


EXPO'98
Por Mattusstyle

ECOS DA EXPO'98 DE LISBOA!

RESUMO
Em 1998, um evento mundial aconteceu em Portugal, a Expo'98. Uma oportunidade que não podíamos perder.
Uns tempos antes da abertura, aproveitando uma visita a um grande amigo em Lisboa. Como mora perto da Expo, fomos ver o andamento das obras. Estavam bastante adiantadas. Dentro de pouco tempo seria a inauguração. Ficou combinado, que no período de funcionamento, iríamos lá passar uma semana para visitar a dita. Assim foi.
No período de 22 de Maio a 30 do mesmo mês daquele ano, ficamos hospedados na casa dele. Fomos três dias alternados à Expo. Os restantes aproveitamos para visitar pontos interessantes de Lisboa.
Levamos uma nossa afilhada, para lhe proporcionar algo diferente. É para isto e muito mais que servem os padrinhos.
Hoje aquele espaço, onde funcionou a Exposição Internacional de Lisboa de 1998, chama-se Parque das Nações.

NA EXPO
Vimos alguns concertos na Praça Sony e em outros palcos. Assistimos ao espetáculo multimédia Aquamatrix. Foi deslumbrante. Fomos ver um show fantástico no Pavilhão da Utopia, hoje Pavilhão Atlântico. Assistimos a outro ainda em 3D no Pavilhão do Futuro e interagimos com o próprio espetáculo, pois as imagens vinham ao nosso encontro. Foi sensacional! Viajamos a alta velocidade nas profundezas do mar, convivemos com peixes, entramos em cavernas subaquáticas numa aventura sem igual. Tudo isto sem sair do lugar! Entramos num elevador e penetramos mar adentro. Quando o elevador parou, verificamos que não tínhamos saído do mesmo sítio!
O problema era as longas esperas nas filass para conseguir os bilhetes para as entradas.
Havia também diariamente muita animação no recinto, sem falar nos concertos.
Aquele espaço tinha recantos lindíssimos.
Ah!... Uma das visitas que consideramos obrigatória foi ao Oceanário. Aquário gigantesco, talvez o maior do mundo, com inúmeras espécies de peixes e alguns mamíferos.
Fomos comer a alguns restaurantes que por lá havia.
Onde eram as entradas, é hoje o Centro Comercial Vasco da Gama. Do outro lado permanece a Gare do Oriente.
Em suma, foi um mundo maravilhoso que valeu a pena ver. Aquele espaço continua atrativo.

RESTO DE LISBOA
Uma das saídas foi para ver Lisboa, quer dizer, alguma coisa da capital.
Na gare do Oriente, inteiramo-nos das várias linhas do metro que percorriam a cidade: Vermelha, amarela, azul e verde. Penetramos no interior da terra e entramos naquela toupeira a que chamam metro. Lá fomos com destino ao Animax (Zoo de Lisboa). Neste parque de diversões o pagamento era efetuado com uns cartões de código de barras. Carregava-se com x e descarregava-se y nos vários divertimentos. Um destes divertimentos era jumping. Um barco subia devagarinho até uma altura muito considerável, caindo depois quase abruptamente na água. Era um suspense!... Os miúdos foram sem medos. Era mesmo pura adrenalina!
Fomos à baixa pombalina e visitamos vários sítios: Portas de Santo Antão, Estação do Rossio, Av. da Liberdade para visita a um amigo dos tempos de África, Rossio e comemos no Mac desta zona. Visitamos o Coliseu e a antiga sede do Benfica. Demos uma saltada ao Chiado. O incêndio naquela praça tinha acontecido há pouco tempo. O prédio ainda estava queimado e bem chamuscado!
Aterramos numa esplanada para beber qualquer coisa e verificamos depois que era um bar dos gays e não bar de gays. Paciência. Convivemos com o Fernando Pessoa e até o cumprimentamos, mesmo à beira da estação do metro no Chiado! A sua figura rígida e em bronze, lá está toda imponente e ao mesmo tempo com um aspeto humilde. Foi bom vê-lo. Gosto muito das poesias dele. Mesmo ao lado, a estação parece um poço profundo. Por acaso tem escadas rolantes. Porque senão...
Também passamos na Rua Augusta e apreciamos todos aqueles artistas de rua. Paramos na Praça do Comércio e confirmamos que na estátua de D. José e seu cavalo, a pata direita deste é realmente a esquerda!
Não podíamos deixar de ir ao Colombo. Aquele Centro Comercial é um mundo de grande, uma autêntica cidade. Chamam aos espaços ruas e praças. Tem vários andares e pontes a ligar as várias alas. No topo tem um parque de diversões. Entre outros uma montanha russa sobre a cabeça das pessoas. Bowling e uma pista de karting. A nossa afilhada fez uma corrida e classificou-se razoavelmente. O FM andou nos mini-karts, pois ainda era pequenato.
O nosso filhote subiu mais um degrau na escada da sua vida nesse período. Fez oito aninhos. Apagou as velinhas no bolo do seu aniversário na casa dos nossos com toda a família deste. Festejou com o padrinho e ainda bem porque raramente acontece. A distância...

REGRESSO
No regresso fizemos uma paragem no Pombal num grande parque junto à nacional 1. Comemos uma refeição num restaurante de dimensões apreciáveis que lá existe e vive praticamente dos viajantes. Um centro comercial fazia parte daquele complexo, onde se podiam comprar todo o tipo de artigos por preços acessíveis.
No centro do parque de estacionamento, há um pequeno jardim zoológico, onde predominavam as aves. Para as crianças havia um pequeno parque de diversões.
Depois do corpo e do espírito mais ou menos saciados, reiniciamos a marcha.
A outra paragem foi em Coimbra. Num parque de lazer na margem do “basófias”, assim chamam ao Mondego porque no verão leva muito pouca água, e no inverno um caudal assustador, fizemos uma pausa de pouco tempo, pois já não era cedo.
A tarde aproxima-se rapidamente do seu fim. Era preciso por as rodinhas a rolar no asfalto sem grandes pressas, pois é preciso chegar são e salvo. Com um olhar abrangente despedi-me da cidade. Não pude impedir um sentimento nostálgico ao dar-me conta que na realidade Coimbra tem mais encanto na hora da despedida.
Chegamos a Guimarães já de noite. Eu pessoalmente cheguei cansado mas com a sensação do dever cumprido. Não teria outra oportunidade na vida!
Enfim, foi bom, muito bom, melhor dizendo, foi ótimo.


SERRA DA ESTRELA
Por Mattusstyle

PASSEIO À SERRA DE ESTRALA!

Março de 1998
Um grupo de amigas, amigos e conhecidos, pensaram no assunto, organizaram o passeio, fomos convidados e aceitamos.
No dia marcado lá fomos todos. Vários carros formavam a caravana. Rodinhas de todos os carros a rolar no asfalto na direção do Porto e daí a Albergaria-a-Velha. Entramos no IP5, era assim que se chamava na altura, e embicamos no sentido de Viseu.
Na zona de Fornos de Algodres saímos e seguimos por estradas secundárias, passando por esta povoação e outras e só paramos em Paços da Serra. Esta povoação está situada a meio caminho entre Gouveia e Seia. Pertence ao concelho de Gouveia. Aqui, um casarão com o nome de “Casa Eira-Velha” tinha sido previamente alugado para albergar o grupo durante a estada do mesmo. Paços da Serra é uma terra castiça e simpática em plena serra da Estrela.
Comemos e descansamos da viagem. Marcou-se para o dia seguinte a subida à Torre.
Chegou o dia que nos brindou com um tempo lindo logo pela manhã.
Apontamos os carros para Seia. Atravessamos esta cidade e começamos a subida para o ponto mais alto da serra. Era preciso vencer uns quilómetros largos para chegar ao cimo.
Um sol radioso marcou presença, mas a neve não, exceto mesmo no cume da montanha. Muito pouca neve. Apenas o suficiente para manter os turistas entretidos. Como ia dizendo, iniciamos e percurso. A primeira povoação que atravessamos foi Sabugueiro. Depois foi sempre a subir. Reparamos a espaços, cestinhas de cachorrinhos na beira da estrada para vender. Mas segundo nos avisaram, havia muita gente a vender rafeiro por “serra da estrela”. Nem sequer paramos para ver.
Depois de alguns quilómetros percorridos lá chegamos à Torre. Como se previa, pouca neve! Várias lojas com artigos diversos: Vestuário, artesanato variado, presuntos e queijos. Comprei postais ilustrados, presunto e queijo da serra para trazer.
Divertimo-nos com a neve, tiramos fotografias e a meio da tarde iniciamos a descida.
Paramos junto à lagoa grande e fizemos um piquenique para comer o farnel. Continuamos serra abaixo. Atravessamos novamente Seia e regressamos ao casarão para passar mais uma noite.
Resolvemos tropeçar num pastor que se atravessou no nosso caminho e combinamos comprar-lhe uns cabritos no dia seguinte, já mortos e esfolados para trazermos. O pastor apareceu. Era novo, fino como um “alho” e engraçado. Por brincadeira picado por algumas mulheres do grupo, não se fez rogado e até se mostrou atiradiço! Foi risota até mais não de partir a moca!
No dia marcado, regressamos com os carros repletos de pertences e muitos produtos da serra. Produtos genuínos e bons que em nossas casas saboreamos condignamente.
Foi bom, mas como tudo teve um fim. Regressamos todos sãos e salvos à nossa santa terrinha, Guimarães.
Até um dia Serra da Estrela.


NORDESTE
Por Mattusstyle

NORDESTE TRANSMONTANO!

Visita ao Nordeste:
Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Carrazedo de Montenegro, Valpaços, Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Azibo, Bragança, Cachão, Vila Flor, Chaves e Alvão.
Conheço mal, para não dizer que não conheço o Nordeste. Conheço mal o centro e sul interior. Tenho uma vontade enorme de conhecer terrinhas deste Portugal desconhecido.
É preciso começar por algum lado! Como alguém diria, começar pelo princípio. Para mim o princípio é de norte para sul. Não fosse eu do norte carago!
O nordeste transmontano é um bom princípio. Vou começar por aí. Venham daí. Vamos?

VIAGEM E ESTADA

Ano da graça de 2009, Sexta à noite, Julho 18.
- Ouve linda, amanhã vamos dar um passeio.
- Pode ser, aonde?
- Ao Nordeste, mas sem um destino definido.
- Ao Nordeste? Explica-te!
- Blá, blá, blá, wiskas saquetas, está a situação explicada. Quer dizer, vamos fazer aquela viagem que prometemos e nunca mais nos resolvemos a faze-la.
Neste Verão resolvemos fazer a viagem há muito anunciada ao nordeste Transmontano.
No dito cujo dia seguinte, Sábado, carro apontado à estrada e lá fomos. Portagem de Guimarães Sul e autoestrada em direção a Trás-os-Montes. O ar estava límpido. O tempo brindou-nos com um sol radioso logo pela manhã. O dia pôs-se quente mas francamente suportável.
Depois de comer alguns quilómetros de asfalto, comentei com a minha parceira:
- Está a ser monótono. Vamos sair no Arco de Baúlhe e seguir pelos montes. Até porque, convém-te rever a terra dos teus primeiros anos de profissão!
- Acho bem. Como foram difíceis os primeiros tempos da carreira de professora!
Estrada fora com algumas curvas, chego rapidamente à fronteira do Minho com Trás-os-Montes, Cavez. Depois duma curva apertada, um barzinho surge na minha direita. Manobra rápida e um pouco perigosa, estaciono à porta. Café e bolinhos para aconchego do estômago, pois já estava a ficar um pouco enjoado devido à fome. Foi esta a primeira paragem. Ribeira de Pena seria a próxima mas não foi. Estrada no cimo do monte e esta vila no fundo do vale com a sua moldura urbano bem à vista do olho, melhor dizendo ao alcance de vista. E olhando de cima, a visão não era má de todo.
- Descemos, não descemos, como é? - Perguntei.
- Não vale a pena.
Não descemos. Em frente é o caminho.
Monte acima, passa aqui por baixo da A7, repassa ali e volta a passar acolá! Depois de lamber mais alguns quilómetros de asfalto, surge a A24 e logo a seguir Vila Pouca de Aguiar. Linda, simpática, limpa e arrumadinha, de ruas bem alinhadas, e como está na moda, uma só para peões. Estacionamos onde pudemos, e estacionamos bem. Num sítio com várias esplanadas junto a um parque infantil. "Tas se mesmo a ver num tas se?" Enquanto os papás tomam uma bebida e põem a conversa em dia, os filhotes brincam no parque, puxam o cabelo uns aos outros e assim não chateiam os adultos! É giro não é? Mais dois cafezinhos da ordem. Era preciso despertar totalmente, pois muitos mais quilómetros de estrada esperavam ser percorridos por nós. Demos uma voltinha a pé para desentorpecer as pernas, e ala que se faz tarde. A estrada está à nossa espera.
Vamos por onde, por onde vamos?
- Ó senhor, qual o melhor caminho para Mirandela?
- Sei lá! Vão por Valpaços: Por aqui, por ali, por acolá. Se não foi assim foi quase, pois pouco percebi do que me estava a tentar explicar.
- Muito obrigado.
Embiquei o carro na direção indicada e lá fomos estrada fora. A povoação a seguir mais ou menos significativa por onde passamos, foi Carrazedo de Montenegro. A paisagem é interessante! Quintas e quintas pelo monte acima, de castanheiros geometricamente alinhados ao longo da estrada e não só. Está ali o dedo humano de quilómetros e quilómetros de plantações! Isto até praticamente até Valpaços uma distancia razoável mais à frente. A paisagem é esta, de Vila Pouca a Valpaços. A estrada serpenteia nestas montanhas, rasgada através destas harmoniosas plantações.
Nesta última localidade, Valpaços, nem paramos, mas percorremos de carro algumas ruas passando pelo centro da vila ou cidade? Razoável e simpática. Passada a Cooperativa Agrícola, foi engolir estrada durante muitos quilómetros, atravessando o IP4 até Mirandela. Neste percurso, a paisagem mudou um bocadito. Na mesma a mão humana nas extensões sem fim de altos e baixos a perder de vista, mas desta vez de oliveiras. É de admirar o alinhamento certinho como estas foram plantadas!
Depois de dois ou três quilómetros de Valpaços, a estrada alarga e é quase uma via rápida. Faz-se lindamente até Mirandela à beira Tua plantada.
De-quando-em-vez, uma montanha escarpada, despida de vegetação, com penedos e pedras num equilíbrio curioso. Neste trajeto, e durante largos quilómetros, avista-se o IP4. Este parece uma cobra deslizando naquele terreno acidentado. É assim este Nordeste!
Ao longe avista-se o casario e o cimo dos prédios. Mirandela à vista!

MIRANDELA
Aqui chegados, deparamos com alguma confusão e grande movimentação. Além duma festa religiosa, os campeonatos de Jet Ski iam acontecer nesse fim-de-semana na albufeira das provas de motonáutica da cidade de Mirandela. Por acaso consegui um lugar no parque de estacionamento mesmo perto do cais de descarga das máquinas aquáticas! A azáfama era intensa. Guardas e mais guardas para proteger o acesso para junto dos competidores.
Mas voltando um pouco atrás, ainda vínhamos a uma distância razoável, e já víamos o reclamo no cimo de um dos hotéis da cidade. A primeira coisa que vimos, foi o dito cujo e várias pontes, uma delas romana sobre o rio Tua.
Quando chegamos perto, as piscinas do hotel mesmo ao lado da ponte, saltaram à vista, dando no olho, ou chamando à atenção com as suas águas límpidas e transparentes que davam um ar de frescura àquele local. Atravessamos a ponte e contornamos uma rotunda mesmo no fim desta. O parque das provas estava mesmo ali ao lado.
Mirandela é linda! O rio concede-lhe uma beleza ímpar e refrescante. As suas margens estão repletas de bonitos jardins, estatuetas, esplanadas, espaços relvados e movimentações constantes de máquinas aquáticas a motor, deslizando nas águas daquela albufeira. Algo que é impossível não ver devido à sua imponência, é um chafariz gigante, com um repuxo de muitos metros de altura, mesmo no meio daquele rio. Lindo!
Num outro ponto e também junto à margem dum rio mais pequeno que vai desaguar naquela grande superfície líquida, há parques de lazer todos relvados, para pausa e descanso. Agradável mesmo!
Carro estacionado, dirigimo-nos à dita rotunda, e dali à rua só para peões. Percorremos essa rua até ao fim, e deparamo-nos com um jardim e o mercado aí plantado. Este jardim tem umas dimensões razoáveis de arbustos com flores e espaços relvados. Num dos recantos deste jardim, uma estátua em bronze de uma mulher e uma criança, sobre um pedestal de granito em homenagem às mães do mundo.
Entramos no mercado para ver e tão depressa entramos como saímos. Praticamente, saímos antes de ter entrado! Insignificante e não tinha nada para ver! Só que à saída, não resistimos a um restaurante com uma bruta esplanada. “Restaurante Jardim”. O cansaço e a hora próxima do almoço ajudaram. Nem é tarde nem é cedo, vamos almoçar aqui. O que tem, o que não tem, decidimos. Posta com batatas murro.
Também decidimos que íamos passar ali a noite. A D. Manuela já estava com um cansaço a roçar o extremo.
- Ó dona, há por aqui uma residencial ou um hotel para passar a noite e aproveitar para dormir uma cesta?
- Há uma aqui à frente mas não aconselho para os senhores. É um bocado pobre e não tem ar condicionado. (Esta acha que temos cara de ricos!). O Mira Tua na rua sem carros é melhor. Deve ser um pouco mais caro, mas vale a pena.
Esta conversa e outra treta de deitar fora, deu-nos a senhora enquanto esperávamos pela comida. Devia ter necessidade de conversar e também de afiar a língua! Presenteou-nos com um caudal de tretas que nunca mais acabavam. Mas but, quer dizer mas pronto.
Aceitamos a sugestão e dirigimo-nos ao hotel. No percurso de regresso, pois já lá tínhamos passado, verificamos onde estava a caixa Multibanco, não fosse preciso mais dinheiro, o quiosque das revistas e jornais para ajudar a passar o tempo, os restaurantes e esplanadas para retemperar forças e porta de vai e vem do hotel. Entramos.
- Boa tarde, tem quartos?
- Devido às provas, tenho tudo cheio. Só se for uma suite! Dá para três pessoas, mas faço-lhe um desconto.
O senhor que nos falou, tinha acabado de chegar à receção. Forte e robusto, de meia-idade. Pelo tom de voz e a forma desenrascada como falou devia ser o patrão ou o gerente. A menina e o senhor alto com quem tínhamos falado antes, quase nos despacharam.
- Pode ser, mas com uma condição: Disponibilizava-mo já, preciso descansar urgentemente.
- Está bem. É o 302 e são 55€. Vou mostrar-lhes a suite. A D. Manuela estava tão exausta, que quando viu a cama, já não saiu do quarto!
Enquanto ela ficou a descansar ou dormir, sei lá, o Mattu's, moi meme, aproveita para dar uma volta a pé pela cidade. Visitei alguns sítios pitorescos e tirei fotografias. Fui de um a outro lado das margens daquele grande espaço aquático. Atravessei o riacho numa ponte que separa o parque de manutenção física duma zona habitacional com prédios. O pequeno rio de margens empedradas e bem cuidadas, ia desaguar ao Tua. No gaveto destes dois rios, um espaço relvado com um passeio em madeira a atravessa-lo. Mesmo no centro desse espaço relvado, uma estátua duma mulher feita em bronze. Tirei algumas fotografias.
Quando regressava, uma sebe que servia de divisória aquela parte do espaço, chamou-me à atenção. Tufos viçosos e bem cuidados de flores miudinhas de cor lilás, alfazema! Escolhi o que me pareceu mais denso e chamativo, e tirei-lhe uma foto.
Continuei a visitar alguns sítios pitorescos à volta do rio, enquanto a minha sócia descansava no Mira Tua.
Um dos bares tinha a esplanada suspensa por cima das águas. Se alguma viga cedesse, todo o mundo ia parar ao rio!
A montagem das barracas da feira, que iria acontecer no dia seguinte, provocava um barulho infernal dos martelos com ferros e ferros com martelos! As músicas brejeiras já ecoavam no ar. Tudo isto muito próximo de um dos hotéis da cidade.
Tinha o polo molhado do suor, pois o calor era bastante, doíam-me os pés de caminhar, o cansaço meteu-se comigo e o apelo na minha mente, obrigaram-me a decidir. Vou para o hotel descansar. - Já que me acordaram, também não fico aqui - disse.
Preparamo-nos e voltamos para a rua.
- O hotel está pago. Vamos aproveitar os entrementes para visitar as redondezas – comentei.
Depois de percorrermos a pé alguns pontos próximos do hotel, eis o comboio turístico mesmo numa extremidade da ponte romana. Aproveitamos e fomos dar uma voltinha, e assim conhecer pontos mais distantes da cidade. Nunca pensei que Mirandela fosse tão extensa e tão linda!
Mas que linda! Quem é ela?
Que deixa a gente pasmada!
É a cidade de Mirandela,
Do Nordeste é a mais bela,
À beira "Tua" plantada.

Mas é lindo, quem diria!
Tanta luz e tanta cor!
Pinceladas de beleza,
Feitas pela Natureza,
No Portugal interior.

Castanheiros e oliveiras
Por aqueles montes além,
Duas das grandes riquezas,
Que aquela gente tem.

No minicomboio, ficamos rodeados duma parolagem que nunca mais acabava! Tinham cara de “emigreiros” e com a ajuda da música residente da aparelhagem, cantavam aquelas canções malucas do Quim Barreiros e outras. Coitados dos nossos ouvidos, foram massacrados a viagem toda! Paciência.
Esta viagem durou um pouquinho e deu para ver os locais mais interessantes daquela cidade. Quando acabou e já não era sem tempo, resolvemos visitar localidades das redondezas.
Onde ir primeiro? Eis a questão! Macedo de Cavaleiros e Barragem do Azibo. Dois ou três quilómetros mais à frente na direção de Bragança, é a entrada para o IP4. Para lá nos dirigimos, e para a frente é que é o caminho. Andamos e andamos, passamos as placas indicando desvios para Miranda do Douro, Foz Côa, Vimioso e Guarda. Só depois apareceu a entrada para Macedo, mas Azibo nada! Percorremos esta Vila de rua em rua e não achamos nada de especial. Uma vila como tantas outras. Já estávamos a sair num outro extremo, e nada que nos indicasse o caminho para o Azibo. Numa paragem, uma senhora esperava certamente o autocarro. Parei e perguntei:
- Por favor informa-me onde é a barragem do Azibo?
- Tem de voltar para traz e apanhar a estrada para Bragança. Mais à frente vai encontrar placas a informar.
- Muito obrigado.
Lá tivemos de procurar a saída e novamente no IP4, andamos, andamos e nada.
AZIBO
Depois de nos fartarmos de andar, uma placa indicava à nossa direita: Azibo. Finalmente!
Mais um ou dois quilómetros, o máximo na nova direção, lá estava a famosa barragem e respetivo empreendimento balnear e turístico. Refrescante, repousante e bonito. Só de olhar já acalma! Estradas de terra batida, extensões enormes de relva, uma praia em cada margem da albufeira. Um oásis no deserto e um paraíso perdido no mundo. Maravilha mesmo! Carros e carros a perder de vista. Estavam estacionados em tudo quanto era sítio. Tinha esse senão, não ter onde estacionar. Como não gosto de andar para trás, continuei. Lá encontrei onde estacionar. No parque dos autocarros: Largo espaçoso de erva seca cortada rente. Tem alguns bares de construção definitiva e muitas mais de roulottes com respetivas esplanadas. Foi num destes que nos sentamos e refrescamos com bebidas, apreciando aquela bonita paisagem cheia de vida. Descansamos e tirei uma ou duas fotos. À saída, deu-nos no olho um reclamo a dizer residencial. Vários negócios prosperam à custa daquelas praias artificiais. Aquilo é bonito realmente!
Dali a Bragança não distava mais que vinte e cinco quilómetros. Já que é tão perto, aproveitei para visitar aquela cidade nordestina. Se assim pensei, assim o fiz. Lá seguimos estrada fora. O terreno neste percurso é semiplano. Pouca vegetação e seca. Uma ou outra vinha baixinha como no sul. A espaços largos, extensões grandes de capim ou feno seco duma cor amarelo dourado. O que há pouco tempo fora erva verdejante era agora paisagem seca e agreste, parecida com o Alentejo em tempo de verão.
Bragança aproximava-se. Finalmente estava-mos a rodar nas ruas a avenidas da cidade. Uma placa indicava a direção da zona histórica.
- É para lá que vamos.
Meios perdidos, mas lá encontra-mos o que procurávamos. Pisos de pedras pretas e subidas até ao castelo. Tasquinhas e barzinhos dentro das muralhas. Engraçado! Tomamos uma bebida num destes bares e aproveitamos para fazer uma xixada. Depois de mais algumas fotos ao local, uma porta oval talhada na muralha servia de saída das viaturas. Apontamos a essa saída, exterior do castelo, novamente a cidade, IP4 e regresso.
A fronteira de Quintanilha distava dali cerca de 5 quilómetros. Resolvemos não ir. O regresso a Mirandela foi tranquilo. Chegamos ainda com sol e que alívio parecia que estávamos em casa!

NOVAMENTE MIRANDELA
Mais uma voltinha, mais uma fotografia.
- Onde vamos jantar e o quê?
- Estamos na terra das alheiras…
- Pau de cera, ou pode ser. É a mesma me…, coisa.
Uma tasquinha típica da terra foi a escolhida. Alheiras, legumes e arroz. As alheiras estavam muito secas e os legumes eram feijão-frade com couves. Que balde, comemos mal! Como alguém diria, passou a vez. Para ajudar a passar o tempo, mais uma voltinha, embora já houvesse poucas forças para tal. Aproximamo-nos do hotel. Como ainda era um pouco cedo, aterramos numa explanada em frente e pedimos chá para os dois. Era preciso ajudar a digerir a porcaria do jantar.
Cerca das nove e trinta, entramos no hotel. Pedimos o cartão e subimos à suite 302. Era cedo mas antes que acabassem as poucas forças que nos restavam, tivemos de o fazer. É a vida!
Ouvíamos a música que ia para o ar do outro lado da ponte.
- Qual festa qual quê! Vamos dormir.
O cartão não funcionou à primeira, mas funcionou à segunda. Os lençóis eram brancos e cheiravam a lavado. As almofadas um pouco grossas para o que estávamos habituados, mas serviram perfeitamente. Tapamos toda a luz do luar que pudesse vir da janela. Estávamos tão cansados, que a minha "cara-metade" adormeceu quase instantaneamente. Eu fiquei mais um pouco acordado e a pensar: Uma resenha de imagens passaram como que um filme a correr na minha mente. Imagens do que vi durante a tarde no passeio solitário que efetuei. O filme reteve-se por instantes nos tufos de alfazema e mais precisamente naquele que fotografei. Naquele momento, tive a sensação que um perfume a alfazema, emanava da minha companheira deitada a meu lado na cama daquele hotel! Com este pensamento perfumado, adormeci suavemente. Eram mais ou menos vinte e duas horas.
Acordamos no dia seguinte. Uma luz ténue tentava espreitar pelo único espaço que a cortina grossa e espessa, duma cor grená escura não conseguia tapar. O sol propriamente dito viria um pouco mais tarde. Este realmente não tardou. Parece que nesse dia nasceu mais cedo para nos alegrar. Eram oito horas de la manhana.
Acordamos bem-dispostos, pois tínhamos dormido umas horas jeitosas. Tomamos um banho, juntos. A água do chuveiro jorrava com força. Ao mesmo tempo que nos lavava, massajava os nossos corpos. Foi um banho relaxante. Vestimos a única muda de roupa lavada que levamos. Frescos e viçosos como uma alface acabada de regar, ficamos prontos para descer para o Piano Bar no 1º andar. (bar do hotel). Um pequeno-almoço buffet, estava à nossa espera. Ainda era cedo mas não fomos os primeiros. Já lá se encontrava um casal: Uma senhora de meia-idade e um jovem. Deviam ser mãe e filho. O jovem aparentava 20 ou 22 anos. Enquanto ela comia um pão com queijo e uma chávena de café com leite, ele empanturrava-se com cereais. Repetiu três ou quatro vezes. Também não comeu mais nada! Pela T-Shirt dum qualquer clube náutico, talvez se tratasse de um competidor das provas dessa tarde nas águas do Tua. Pão, queijo, fiambre, compotas e geleias, sumos e café com leite, estavam à nossa disposição. Foram os primeiros retemperadores de forças daquele dia. A minha parceira comeu pouco, mas eu abasteci o organismo o melhor que pude, para aguentar mais algumas passeatas que iriam ser feitas e estavam já planeadas. Estômago composto e rua. Decidimos tomar os cafezinhos numa esplanada próxima. Passavam poucos minutos das oito. Dirigimo-nos para a saída.
Na receção estava agora um jovem de estatura mediana. Entreguei o cartão e disse um até à próxima. Saímos.
O sol ainda não se tinha mostrado. Não demoraria muito a aparecer com toda a força. Depois de tomados os cafezinhos da ordem começamos realmente a funcionar.
- Está decidido, vamos a Vila Flor. Já sei o caminho para lá.
Atravessamos outros pontos da cidade e lá fomos estrada fora. Vila Flor espera por nós. Estávamos a entrar no carro para iniciar a viagem quando o telemóvel tocou. Era o rececionista do Hotel dizendo que eu não tinha pago a conta! Disse que paguei e que tinha o recibo comigo. Estava em nome de outra pessoa e era referente ao quarto 202 e não 302. Não repara-mos! A situação foi esclarecida e partimos.
Excetuando algumas montanhas verdes de pinheiros, alguns eucaliptos e escassos sobreiros, o relevo é pouco acentuado. A vegetação é baixa e composta sobretudo de arbustos, tojos e mato. Ao longe uma capelinha parece equilibrar-se no cume duma montanha. Ao aproximamo-nos, verificamos tratar-se do mosteiro de Nossa Senhora da Assunção. Para lá ir, era preciso fazer um desvio. Não o fizemos. Já faltava pouco para o nosso destino, Vila Flor.

VILA FLOR
À entrada desta vila, avistam-se plantações de oliveiras e castanheiros, mas sobretudo de muitos pomares. Rolamos na avenida principal daquele burgo, metemos por ruas e ruelas, passamos numa feira de produtos da terra, currais de cabras e ovelhas para serem vendidas. Continuamos e fomos parar à zona mais antiga. Reparamos na promiscuidade de carroças, carrinhas e carros diversos junto àquelas casas antigas tão bonitas, tapando as vistas das mesmas.
O casarão que serviu de cenário à novela da TVI, lá estava todo imponente. As suas portas e janelas de formas arquitetónicas, de uma beleza única, sempre agradáveis de ver, lá estavam intactas e fascinantes. Como não podia deixar de ser, tirei uma foto. Pena que uma carrinha de transportar animais, tapasse metade da casa!
Caminhamos noutras ruelas com pisos bem cuidados com pedra de granito. Saciamos as vistas e resolvemos partir de regresso à base, Mirandela.
Ao nosso lado, e numa extensão razoável, a linha do Tua parecia caminhar lado a lado com a estrada. Numa das descidas, pareceu-nos avistar ao longe uma cascata de água. Talvez fosse uma miragem do deserto. Estava-mos perto do Cachão. Um anúncio mais a traz, falava da barragem com este nome. Umas placas colocadas num desvio pouco antes desta localidade, indicavam umas terriolas com nomes de nascentes. Pensei que a dita barragem fosse para aquele lado! Não era.
- Ó senhor, por favor diz-me como se vai para a barragem do Cachão?
- Volte para traz e ali mais à frente onde diz Dona Sancha, vire à direita e vá sempre naquela estrada. Passa os depósitos da água, duas curvas meias coisas e é a seguir. Não vê logo a barragem. Deve ter onde estacionar o carro e vá a pé num estradão de terra. A estrada subia serra acima, não encontrei onde estacionar. Tive de procurar onda dar a volta. Regressei com o rabo entre as pernas, como sói dizer-se sem ver barragem alguma. Balde!...
Andamos, andamos e chegamos novamente ao ponto de partida, Mirandela. Nem paramos. Pé na tábua e gás para caminho de regresso a casa. Velocidade razoável na estrada nacional que mais parecia uma via rápida. Atravessamos o IP4 e chegamos rapidamente a Valpaços. Aqui chegados, dirigimo-nos para o centro. Esplanada, bebidas e descanso refastelados na dita debaixo do guarda-sol. Valpaços em direção a Chaves mais pelo interior.
Relativamente às construções, esta zona mudou um pouco. Enquanto no Nordeste as construções concentram-se nas localidades e o resto é deserto de quilómetros e quilómetros sem se ver uma casa. Nesta estrada e principalmente no Minho, as pessoas constroem onde tem os respetivos terrenos. Por isso, nos trajetos que ligam as localidades umas às outras, há construções em todo percurso. É por esta razão que em Trás-os-Montes as localidades crescem muito. Pudera, no resto dos percursos não há vivalma!
Passamos no miradouro de S. Lourenço e vimos Chaves por um canudo. Não foi bem por um canudo mas as vistas para a cidade são deslumbrantes. A cidade de Chaves não é assim tão pequena como pensei! Fomos parar ao extremo sudoeste da cidade. Seguimos por uma estrada que tinha uma placa a dizer A24.
Andamos e fartamo-nos de andar e A24 de grila. Como para a frente é que é o caminho, não voltamos para trás. Depois de andar bastante tempo, uma entrada para a autoestrada. Estávamos perto de Vidago. Da A24 á A7 foi um instantinho. E como dizia um colega: Coisa linda, uma placa a dizer Guimarães!
Já nesta última autoestrada, deu para apreciar as belezas da serra do Alvão. É mesmo bonita se for vista com olhos de ver! Velocidade moderada na A7, regresso calmo e sem incidentes.
O dia estava quase no seu término quando chegamos. Os últimos raios de sol tentavam esconder-se para lá da linha do horizonte. Era o fim da tarde, fim do dia e o fim da viagem ao Nordeste. É o fim da linha, aliás do passeio. Muita coisa ficou por ver. Haverá mais. Não sei quando mas haverá. E assim, a viagem terminou precisamente onde começou, Guimarães. Até á próxima Trás-os-Montes.


CARVALHO
Por Mattusstyle

CAVALHO CENTENÁRIO DE CALVOS!

A SOMBRA VERDE
"Um poema ou uma árvore podem ainda salvar o mundo." - Eugénio de Andrade.

O carvalho!...
Carvalho de Calvos, carvalho centenário de Calvos ou como diz o povo, Carvalha Grossa, de seu nome científico Carvalho-alvarinho (Quercus robur).
Este exemplar de carvalho tem cerca de 500 anos e a sua preservação está inserida no projeto Póvoa de Lanhoso e a sua herança. Deste projeto fazem parte o património humano, cultural, artístico, paisagístico e outros. Já fazia falta, é digno dos povoenses e bem hajam os seus promotores. Devido a uma doença, teve de lhe ser amputado um dos ramos principais. Este facto permitiu salvar a árvore mas também para recobrar o seu vigor. Dentro do cercado, mesmo ao lado, existe uma outra árvore centenária da mesma família, talvez um primo, o sobreiro (Quercus suber).
Bem perto deste carvalho, no exterior do cercado de proteção, existe um outro exemplar bem mais jovem, mas que demonstra já um porte assinalável e um grande vigor vegetativo, podendo vir a ser no futuro um outro exemplar notável desta espécie.
É o mais antigo da Península Ibérica. Com o objetivo de preservar o maior exemplar desta espécie na península ibérica, foi criado o Centro de Interpretação do Carvalho de Calvos, na Póvoa de Lanhoso. A importância deste carvalho enche a alma de quem o visita. Na base do tronco existe uma cavidade de origem natural mas que foi utilizada durante muitos anos para deposito de lixo, o que poderá ter contribuído para o desenvolvimento de humidade e consequentes doenças no interior da mesma.
Os números deste carvalho esmagam-nos, pois são impressionantes! A saber:
- Cinco séculos de idade.
- Altura = 23 m
- Diâmetro médio da copa = 40 m
- Perímetro a altura do peito = 7,3 m
Para acabar, uma palavra de elogio para aqueles que idealizaram e concretizaram este espaço de convivência com a natureza a partir da preservação de uma árvore. Espero que um dia não seja uma exceção mas que muitos como este, estejam espalhados por todo país. Obrigado.
O espaço, no qual está inserido o magnífico carvalho de Calvos, está muito bem conseguido. Fazer um piquenique ou ver as crianças brincar à sombra duma árvore frondosa como esta, é um enorme prazer.
Fonte de ajuda: Net

O PIQUENIQUE
Agosto 11, 2012
Realizou-se neste sábado o piquenique da família Matos. Embora sejam habituais este tipo de piqueniques nos passeios de família, este realizou-se a propósito da chegada dum familiar vindo da Venezuela. É sentimento comum a quase todos os emigrantes, visitarem periodicamente ou de longe-a-longe a sua santa terrinha, para matar saudades e não só.
Já lá vão mais ou menos quatro décadas desde a sua ida para aquele país sul-americano. Que me lembre, esta é a segunda vez que vem a Portugal.
Para que todos pudessem estar um pouco com ele e ele com todos, pensou-se neste convívio, pois não é fácil conseguir disponibilidade duma família numerosa para visitas individuais.
O local escolhido para este encontro familiar, foi a Carvalha Grossa, ou Carvalho Centenário, na Freguesia de Calvos, limítrofe à sede concelho, Póvoa de Lanhoso. Por sugestão de alguns, foi escolhido e bem escolhido este local. Bem porque é lindíssimo e enquanto convivem uns com os outros, também se convive com a natureza, o que é muito bom e faz bem. É acessível a todos e é na Póvoa de Lanhoso que estão as nossas raízes mais profundas.
Como já trabalhei naquelas paragens, aproveitei para redescobrir as raízes familiares e da terra que me viu nascer. Quando a curiosidade e a necessidade de saber pediram mais, investiguei através de pessoas mais velhas residentes, livros e internet. A Póvoa de Lanhoso tem muito património que vale a pena ver e descobrir. Património histórico abundante: Entre outros o Castelo e Castros ibero-celtas; Património arquitetónico interessante: Mosteiros, igrejas, pelourinhos, casas senhoriais e outros; Personalidades famosas: Maria da Fonte, António Lopes, Martin Moniz, Gonçalo Sampaio e muitos outros; Património etnográfico riquíssimo; Património paisagístico lindíssimo; Muito e muito mais!
Mas voltando ao piquenique, conviveu-se, comeu-se, bebeu-se e brincou-se, jogou-se à bola e à malha, tomamos café no bar da carvalha e as crianças brincaram no parque infantil da mesma.
Embora a figura principal, motivo pela qual estávamos ali reunidos, tivesse chegado quando a tarde já ia para lá do meio, correu minimamente bem. O tempo passa rápido e não espera por ninguém. Não se conviveu tanto como seria desejável mas valeu a pena.
O dia aproximava-se rapidamente do seu termo. Era preciso meter os utensílios nas malas dos carros e regressar às suas casas. Um a um os carros foram desaparecendo, ficando o local como quando lá chegamos, vazio. Vazio não! A frondosa carvalha ficou e mais imponente que nunca e com a vaidade estampada no tronco, pois foi visitada e admirada por uma grande família, pelo menos numerosa!
Com as mãos no ar, acenei para me despedir do pessoal que ainda restava e com um olhar abrangente antes de partir, despedi-me da carvalha.


MÃE
Por Mattusstyle

DIA DA MÃE!

Dia das Mães, também designado dia da Mãe, é uma data comemorativa em que se homenageiam as mães do mundo e por conseguinte a maternidade.
Em Portugal comemora-se no primeiro Domingo do mês de Maio, mas nem sempre foi assim.
É um dia especial para mães e filhos. O comércio agradece, pois neste dia compram-se inúmeros presentes para oferecer às mães.
Crê-se que a ideia nasceu nos Estados Unidos da América, espalhando-se rapidamente por todo o mundo.

Maio, 5 de 2013 – Domingo
Acordei cedo neste dia. Não tinha sono e também não me apetecia ficar na cama. A minha cara-metade dormia. Estava a aproveitar o resto da madrugada para descansar mais um pouco. O dia já se vislumbrava através da janela.
Fiz a minha higiene pessoal e vesti-me, pois o Zullu já me rondava numa marcação cerrada para o lavar à rua. Assim fiz. Nós os dois, eu e o cão, lá fomos porta fora e rua acima. Andamos cerca de meia hora. Cheirava tudo quanto era coisa e não fazia coisa nenhuma. Ao fim desse tempo, voltamos para casa. Na cozinha, limpei a baba do bicho. Baba-se porque estica a corda, quer dizer a trela até mais não. E depois? Depois baba-se todo e quando se sacode, é biscas por todo o lado!
Da cozinha fui para a sala. Eis que esbarro com um lindo ramo de flores num suporte espetacular em cima da mesa. Estranhei e disse de mim para mim: Não lhe deram flores na escola, ontem quando nos deitamos não havia aqui nada, como vieram estas cá parar? Aproximei-me para ver melhor. Eram realmente lindas e havia uma folha A4 escrita por baixo do suporte. Escusado será dizer que o li. Foi o nosso filhote que o deixou lá durante a noite. Não se esqueceu da mãe no seu dia. Passei os olhos pela folha escrita. Palavras lindas dirigidas à mãe! Ela continuava a dormir. Embora fosse cedo, eu estava em pulgas para a acordar. Esperei algum tempo, mas não aguentei mais, fui acordá-la.
Inventei uma peta qualquer para a atrair à sala. Também reparou no ramo das flores e na folha escrita. Conforme lia, notava-se em brilho especial nos olhos e uma expressão de felicidade no rosto!
Adorou. Aquelas palavras encheram-lhe a alma. Tinha ganho o dia, embora este estivesse no seu início.
Tomamos o pequeno-almoço, acordamos o FM e preparamo-nos para o encontro no café de cima com alguns familiares, para dali partirmos para a Póvoa de Lanhoso, mais propriamente Carvalha Grossa em Calvos.
Carrinhos na estrada e lá fomos. Atravessamos a Vila e chegamos ao local combinado.

Piquenique II
Um grupo restrito de familiares organizou um piquenique a propósito do dia da mãe. Fomos convidados e aceitamos com muito gosto. E aceitamos porque segundo pareceu, recusar estava fora de questão, e por outro lado veio mesmo a calhar, pois estávamos mesmo a precisar dum convívio saudável, com pessoas amigas e com a natureza. Não fomos os primeiros a chegar. Já alguém lá estava à nossa espera. Estenderam-se as mantas, e o farnel foi posto a jeito. Enquanto a hora de dar ao dente não chegava, procuraram-se divertimentos. Alguns foram aos grilos, esquiçando nas tocas com uma palhinha. Resultou, pois ao fim de pouco tempo já tinham alguns.
Conversamos, comemos e bebemos, jogamos a bola e a malha e divertimo-nos naquele espaço relvado. Relvado? Aquilo era relva ou rerva? Eu acho que era mesmo erva. Mas isto não interessa nada, o que interessa, é que aquele local estava verdejante, refrescante e acolhedor. O resto é treta.
Ah já me esquecia! A carvalha recebeu-nos de ramos abertos e emprestou-nos a sua sombra verde!
O dia estava lindo e solarengo, mas por breves instantes, o sol foi-se embora aborrecido sabe-se lá com quê, e o tempo arrefeceu ligeiramente. Já se procuravam agasalhos para emprestar às crianças. Praticamente não foi preciso porque voltou logo de seguida com mais pujança e portou-se lindamente até virmos embora.
O FM fez-nos companhia o tempo todo.
Uma das crianças calçou uns chinelos de média altura de umas das adultas, e convidou as outras para irem ao baile. Parecia uma gatinha com botas! Foi um dos momentos engraçados.
Fomos ao bar da localidade tomar o cafezinho da ordem, para acordar ou para não adormecer. Primeiro as mulheres e depois os homens. O bar estava cheio de gente! Também onde é que aquele pessoal vair o tempo, ainda mais sendo Domingo que não se trabalha! Estavam expostas miniaturas de símbolos daquela terra. Tirei algumas fotos. Um dos elementos comprou garrafinhas de sumos da coca-cola. Provei. São realmente bons. Regressamos ao local de crime, quer dizer do piquenique.
Quando achamos que estava na hora de vir embora, arrumamos os tarecos, melhor dizendo, os utensílios e levamos tudo para os carros.
À saída, olhei para trás e mentalmente, despedi-me e agradeci à carvalha por tudo aquilo que nos proporcionou: A sua companhia, a sua sombra e a sua imponência. Muito obrigado.
Viemos embora e chegamos a casa, satisfeitos. Tinha sido um dia fantástico.

Querida Mãe!
Tu que nos guardaste em teu ventre aquecido e do mundo fomos protegidos...
Tu que nos trouxeste para a vida, o que mais poderíamos querer?
Nos deste um cantinho dentro de ti e já crescidinhos, nascemos para te conhecer...
Em teus braços fomos acalentados com teu amor e dedicação.
Nosso coração por ti, todos os dias acariciado...
Te conhecer por fora é só uma forma de nos fortalecer para o mundo, mas o que há de mais profundo vem do teu íntimo Ser...
Oh! Maravilhosa Criatura...Nascida do Amor Divino que nos ampara a todos os momentos de nosso Viver!
O que mais poderíamos querer?
Rogar com todas as forças que Deus abençoe todas as mães e se nem sempre ao nosso lado podemos ter-te até a tua lembrança nos faz reviver... que maravilha!...
Nunca estarás sozinha Querida Mãe!
José Guilherme S. Filho.

Da Natureza eu preciso
Não serre a serra, porque dela dependemos nós,
Tanto hoje como amanhã.
Agora usufruímos do seu clima benfazejo.
Mas, se a devastarmos, só a lembrança temporã.

Não mate a mata, porque dela outros seres precisarão.
Sem elas, os desmoronamentos são a certeza.
Certamente, com sua falta, a natureza se rebela.
E o resultado, já sabe: sofrimento e tristeza.
Não ria do rio, porque dele tiramos o liquido mais precioso,
Sem água nós não podemos viver.
Por mais que não entenda, não deixe a ambição florescer
Verdadeiramente sem ela (a água), podemos todos morrer.

Não mangue do mangue, ele tem a importância de dar o equilíbrio ambiental.
Caso destruamos e construamos moradia por ambição,
As consequências serão danosas para todos,
Sem exceção, seja marginal, seja cidadão.

Por isso, não serre a serra;
Não mate a mata; Não ria do rio;
E não mangue do mangue.
Apenas aprecie esses lugares com admiração.
Só deixe lá pegadas, retire apenas fotografias.
E só leve de tudo a forte recordação.
Assis Cavalcante z

É tudo


INTERESSES
Por Mattusstyle

MEUS INTERESSES - HOBBIES DA VIDA!

    BASQUETEBOL
EU E O BASQUETEBOL
Quando era puto, participei num torneio de futebol, organizado pelo clube do concelho onde nasci, Maria da Fonte. Jogava a avançado, mas naquele dia o guarda-redes sentiu-se indisposto e o escolhido para a baliza fui eu.
Logo nos primeiros lances do jogo, disputava a posse da bola com os avançados contrários, quando levei uma joelhada no estômago que me deixou prostrado no chão com falta de ar durante largos minutos. Por causa desta situação, a prática continuada do futebol morreu para mim.
Como não praticava futebol... Ainda jovem mas já em Luanda - Angola, vivia numa zona na parte alta da cidade. Nessa zona havia um clube modesto de bairro mas muito simpático, que se dedicava apenas à modalidade desportiva do basquetebol. Era um clube muito carismático, pois arrastava multidões para os jogos em que participava. Esse clube chamava-se: Futebol Clube Vila Clotilde e usava no equipamento as cores do Barreirense. O campo de jogos era um ringue ao ar livre cedido gentilmente pela Liga Africana, associação sediada no bairro da Vila Clotilde.
Aquando dos jogos, a claque era participativa e barulhenta e ouvia-se perfeitamente nuns quantos quarteirões em redor. Eu morava muito perto. Aquele entusiasmo começou a afetar-me e meteu-me o bichinho no corpo. Comecei a ver os treinos, a participar neles e finalmente a jogar oficialmente, sendo mais um atleta a fazer parte a nível federado daquele simpático clube!
Foi assim que nasceu em mim a paixão pelo basquetebol.
Devo dizer que a nível dos juniores, os campeonatos eram disputados sempre em Portugal entre os campeões de Portugal, Angola e Moçambique. De quatro anos seguidos que vieram disputar o título, em dois deles foram campeões.
Mais tarde esses juniores passaram a seniores e era uma equipa de sonho, pois praticava um basquetebol altamente técnico e artístico. Um americano que foi jogar para uma das equipas da cidade disse um dia: O basquetebol do Vilinha, assim era conhecido o clube daquele bairro, é um carrossel de luxo!
E foi assim.



    CARROS ANTIGOS
O GOSTO PELOS CLÁSSICOS
Não sei a propósito de quê, a partir de certa altura da minha vida, comecei a gostar de carros antigos. Acho-os lindos, belos, espetaculares e... Muitos mais adjetivos podia enumerar!
Gostava de colecionar mas as possibilidades financeiras são reduzidas ou nenhumas para esse efeito. Sou especialmente amante do "carocha". Como não posso ter os carros ao vivo ou materialmente falando, tive molduras de vários deles. Já não me faltou tudo!
É assim a vida!



    DANÇA
PORQUE GOSTO DE DANÇA?
Porque gosta da dança? Não sei bem mas vou encontrar uma explicação...
Como já disse, cresci em África, mais propriamente em Luanda - Angola. Naquela imensa terra e particularmente em Luanda, abundavam os clubes exclusivamente de dança. A propósito de quê e de nada, todos os fins-de-semana havia farras. Estas farras eram nada mais nada menos que festas dançantes. Aconteciam nos clubes que existiam para o efeito e noutros locais a propósito de nada, ou em casamentos, batizados, carnaval, fim de ano, festas de finalistas, e por aí adiante.
Como não podia deixar de ser, fui contagiado por essa febre geral. Sem saber porquê e quando, dei comigo a participar nessas festas. A princípio de uma forma tímida, pois era a aprendizagem, mas depois mais desenvoltamente e com vontade e gosto de estar em todas.
Ainda hoje me morde esse bichinho!



    VESPAS
COMO ENTRARAM AS VESPAS NA MINHA VIDA?
Como é que as vespas entraram na minha vida? Não estou a falar de vespas ou abelhas que me tentaram morder. Aliás, já fui mordido por algumas. Dói que se farta e deixavam marcas por algum tempo. Mas não, estou a falar de vespas de duas rodas.
Quando comecei a trabalhar ainda muito novo, uma parte do ordenado que recebia mensalmente, era para pagar a prestação de uma vespa 50cc que entretanto adquiri. Porque estava na moda e também porque precisava libertar-me dos machimbombos (autocarros), mas também porque ter transporte próprio era outra coisa. Eu podia continuar a usar os "machimbombos" mas não era a mesma coisa.
Mais tarde passei-a a um irmão mais novo e comprei uma de 150cc. Para esta era preciso a carte de moto. Enquanto não tinha a carta, foi usando a vespa só à noite e por caminhos pouco ou nada trilhados pela polícia. A relação da juventude com a polícia era uma espécie de amor e ódio. Era preciso evitar encontros.
Nesse período usava-a quase exclusivamente para participar e ver jogos de basquetebol. Estes devido ao calor eram realizados sempre à noite.
Só muito mais tarde me libertei da vespa para comprar um carrito.
Hoje mato saudades vendo de-quando-em-vez exposições de clássicos. Os carros antigos trazem as vespas e verse virsa, matando dois coelhos de uma só cajadada. Deu para entender não deu?



    MÚSICA
VIVER SEM MÚSICA NÃO!
É preciso música para dançar! A dança acontece ao som da música. Logo aí a fronteira entre o gostar de dançar e de música, é demasiado ténue ou inexistente.
As farras eram sempre ou quase sempre com música ao vivo com grupos musicais que proliferavam por toda a Angola.
Quando se falava em farras, falava-se de música, quem ia tocar, que músicas, etc. Por tudo isto, muito cedo comecei a ter as minhas preferidas, tanto para ouvir como para dançar.
Gostei dos Beatles, gosto dos Scorpions e dos Pink Floid e ainda de algumas bandas acuais. A música africana e particularmente a angolana está-me no sangue. Isto é inegável.
Deve dizer que as mais lindas baladas que ouvi até hoje, foram produzidas por bandas rock.
Tanto a música como o mar fazem-me relaxar do stress do dia-a-dia.



    M A R
O MAR! O MAR! QUE ME ACALMA!
Vou contar uma pequenina história.
Quando cheguei de Angola nos anos 70, fui viver para uma localidade no vale de S. Torcato em Guimarães rodeado de montanhas por todos os lados.
Nesses primeiros tempos, sentia um mau estar, uma espécie de claustrofobia. Inicialmente não sabia o porquê daquele mau estar. Depois descobri que era a falta do mar. Comecei a partir daí a deslocar-me frequentemente à localidade mais acessível para contemplar o mar, Póvoa de Varzim.
Com o tempo habituei-me a não ter permanentemente o mar por perto.
Voltando um pouco atrás e ainda em terras africanas. Nessa época, um irmão mais velho gostava de espaços livres em terra firme. Dedicou-se talvez por isso à caça. Eu em contrapartida gostava de tudo que se relacionasse com o mar: Pesca, praia, barcos, nadar nas ondas, viajar de barco, mais peixe que carne na alimentação e muitas coisas mais.
Conjuntamente com colegas, compramos um barco e íamos à pesca todos os fins-de-semana. Gostava de aventuras no mar e da adrenalina que isso provocava.



    LITERATURA - POESDIA E PROSA
LER E ESCREVER...
Desde muito cedo comecei a gostar da leitura. Primeiro histórias aos quadradinhos principalmente livrinhos de cowboys do Tim Tim e outros. Depois romances de bolso do Ross Pinn, Alexandre Dumas, Coboiadas, policiais e aventuras, nomeadamente os mistérios de Paris. Posteriormente romances históricos de espadachim como os Três Mosqueteiros e outros que tais.
Com o decorrer dos tempos e o avançar na idade, comecei a ser mais seletivo. Escolhia livros de certos autores que por isto ou por aquilo me caiam no goto. Li muitos livros de autores portugueses. Debrucei-me sobre a história da literatura portuguesa. Gostei particularmente das obras de Alexandre Herculano, Júlio Dinis e Camilo Castelo Branco. Gostei da poesia lírica de Luís de Camões, de poesia de Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Soares de Passos, António Gedeão e Beltost Brecht.
Durante algum tempo, li com entusiasmo os livros de Frederich Forsith e Colleen McCulough. Esta última retrata muito bem e de uma forma épica a gesta do povo australiano.
Hoje dou igual valor à história bem contada e à descrição pormenorizada do espaço onde as personagens se movimentam. E é tudo que me ocorre dizer sobre este tema.



    OUTROS QUÊS E PORQUÊS
AFINAL HÁ OUTROS!
Afinal há outros! Gosto de África, mais propriamente Luanda - Angola. Cresci lá, estudei, trabalhei e... Gosto de tudo que diz respeito àquela terra: Espaços, música e respetivos ritmos, gastronomia nomeadamente as moambadas, mosongué e tantas outras comidas, e todos os frutos tropicais.
O mar de Angola e principalmente o Mussulo. As farras, a Ilha, a Kissama e tudo e tudo...
Acalento um sonho por realizar, de um dia visitar a Austrália. Sidney e Brisbane são as cidades que mais gostaria de visitar, mas também o norte tropical como por exemplo Darwin e os corais de Queenesland.
Também gostaria de um dia poder ir ao Japão, New York e S. Petersburgo.
Sou um mau bebedor mas sou um bom garfo. Gosto de leitão no sítio certo, Bairrada, bacalhau e de uma boa mariscada. Sou amigo do meu amigo mas fico podre com as traições. Sou calmo e pachorrento e gosto da proteção do aconchego familiar. O meu mundo é a minha família direta e também o Zullu do meu filhote, o cãozinho Shar Pei, o nossas rugas. Infelizmente já morreu.


BENFICA
Por Mattusstyle

COMO E QUANDO COMECEI A GOSTAR DO BENFICA!

Há muito tempo atrás, era eu um puto com mais ou menos 7 ou 8 anos de idade, andava na escola primária. Tinha um colega, vizinho e amigo, o Zeca e ambos gostávamos de jogar a bola.
Naquele tempo inventávamos bolas para jogar futebol. De trapos com meias ou de borracha sempre de tamanhos mínimos, pois grandes eram caras e dinheiro era o que menos havia. Mesmo as pequenas eram difíceis de conseguir. As poucas que íamos conseguindo arranjar, eram nas rifas, nos furos ou compradas com uns trocos ganhos a fazer pequenos favores. Era feito um esforço do caraças por causa do raio da bola! Mas but...
Aos fins-de-semana não perdíamos o relato dos jogos dos nossos clubes favoritos. Às segundas-feiras fazíamos um a dois quilómetros a pé para ir à vila comprar o jornal “O Primeiro de Janeiro”. Devorávamos tudo com os olhos lendo todos os resultados e a composição das equipas. Sabíamos de cor o nome de todos os jogadores.
Este Zeca tinha um irmão mais velho. Fisicamente eram pouco dotados, do tipo meia "leca".
O frio na nossa “parvalheira”, quer dizer na nossa santa terrinha, era difícil de vencer naquele tempo, principalmente para gente pequena e pobre. Na maior parte do tempo andavam descalços e a geada incomodava p’ra caramba.
Um dia qualquer daquele ano, e já lá vão uns anos largos, os pais compraram um sobretudo para o irmão do Zeca. O sobretudo dava-lhe pelos pés. Passado algum tempo era um casaco e depois uma jaqueta e até que deixou de servir. Nessa altura passou para o Zeca. Este foi crescendo mas o sobretudo não. Repetiu-se a história do irmão. Começou por ser um sobretudo rente aos pés. Conforme crescia, passou a ser um casaco ligeiramente comprido, depois um casaco normal e por fim uma jaqueta de Aquelas de "fazer entre o milho". Desculpem, ia dizer um palavão mas não disse! Por vezes em certos contextos seria o melhor, falar o português vernáculo, pois este é insubstituível. Passado algum tempo deixamos de o ver com aquele casaco. Deixou de servir, talvez.
Mas não era esta história que queria contar.
Como ia dizendo, tanto o Zeca como eu gostávamos de jogar a bola. Nem sempre haviam parceiros disponíveis para formar equipas. Por isso, improvisávamos balizas com uma pedra de cada lado, e fazíamos remates para ver quem marcava mais golos.
Os clubes da moda de então, eram o Porto e o Benfica. O Zeca escolhia prontamente ser o Porto. A mim não restava alternativa, tinha de ser o Benfica.
Em todas os joguinhos de bola em que participávamos, era sempre o Benfica-Porto e o Porto-Benfica. Tanto o Zeca como eu encarnávamos os respetivos clubes com alma e coração. A partir daquela altura, aqueles clubes passaram a ser as nossas alegrias, tristezas, euforias, dores de barriga e uma panóplia de sentimentos e paixões que só o futebol consegue dar.
Assim nasceu em mim o amor ao Benfica, a paixão e a chama imensa! Gosto do Benfica e pronto. Não há explicação possível. O vermelho passou a ser a minha cor preferida. Passei a ver as águias com outros olhos e outro sentir. Mas o Benfica passou a ser também sofrimento e murros no estômago, alegria e êxtase.
Os não benfiquistas não vão achar graça nenhuma ao que estou p'ra aqui a dizer. Mas que diabo, não é agora que vou mudar! Que querem que eu faça? Mudar agora? Não, agora é tarde. Até porque é uma questão de princípio. Por falar em princípio, isto já vem desde o princípio da minha existência! Habituei-me a ter o vermelho como cor preferida. Como é que ia agora gostar das outras cores! A águia passou a ser uma ave simpática. Vê-la agora como ave rapina não é nada agradável.
Há um princípio ao qual sou fiel: Muda-se de casa, de carro, de camisa, de médico, de mulher/marido, mas nunca de clube! Sou benfiquista mas agora já não sou doente. Se ganhar, tudo bem fico contente, mas se perder paciência, fica para a próxima. Tenho mais coisas com que me preocupar.
Como alguém diz, é a gente a falar, mas não é bem assim. Tenho de confessar que por vezes, quando os resultados não são os melhores, sinto um nervoso miudinho, dá-me um nó na garganta, uma dor no peito e à noite custa-me adormecer. Doudeiras!
Tento e de vez enquanto consigo mentalizar-me que há mais vida para além do futebol e do Benfica em particular. Não é fácil, porque ser benfiquista é um estado de espírito ou de alma se quiserem, e lutar contra isso é impossível! Não sofro apenas com o futebol. Também com as modalidades, principalmente o basquetebol. Fui praticante desta modalidade e vivo os jogos com alguma intensidade. É a vida!
E foi assim como e quando comecei a gostar do Benfica.


ZULLU
Por Mattusstyle

ZULLU, O NOSSO CAOZINHO SHAR PEI!

Mas quem é afinal este Zullu?
O melhor é ser ele próprio a contar a sua história.
Então aqui vai.

Olá, eu sou o Zullu e esta é a minha história!
Vou contar a minha história na primeira pessoa. Pessoa? Mas eu sou um cão! Não interessa, façam de conta que sou gente. Por vezes tenho a mania que sou mesmo gente e comporto-me como qualquer pessoa!
Nasci na Praia da Madalena em Vila Nova de Gaia e fiz parte duma ninhada de 4 filhotes da minha mãe "Mariaa".
A minha origem é incerta. Posso ser um descendente do Chow-Chow, a quem me assemelho pela "língua azul". Há quem diga que surgi inicialmente no Tibete ou no Norte da China há 20 séculos, sendo que os primeiros exemplares da minha raça eram bem maiores do que sou atualmente. Fomos perdendo físico na década de 40, por causa da fome devido à revolução comunista de Mao Tse Tung em 1949.
Nessa época, a nossa raça quase foi extinta. O Mao achava que era um luxo ter cães de estimação e mandava castigar os nossos donos por nos possuírem. Só tinham direito de existir os cães trabalhadores. A maioria dos meus antepassados viraram alimento para o povo esfomeado.
Tenho uma aparência exótica e bastante singular. Sou um cão compacto, de estatura média e forte. Sou pouco ágil porque não faço ginástica. Estou sempre em casa! Tenho pele solta e pregas no corpo. Quando era pequeno tinha mais. As minhas orelhas são pequenas e caídas para baixo, tapando os orifícios dos ouvidos, o que não é bom porque ganho otites. Não arejam! Tenho pelo curto. Pareço triste mas sou alegre, calmo, tranquilo e muito meigo. Relaciono-me bem com as pessoas. Não gosto de alguns cães porque me roncam. Ninguém gosta que lhe ronquem, nem mesmo as pessoas! Sou um pouco cabeçudo. As rugas da cabeça já me causaram problemas. Tive o entrópio. As rugas entram nos olhos e fazem lesões na retina. Tive de ser operado aos olhos!

Como entrei na vida dos meus donos
Quando o meu dono, o F. M., fez dezanove anos, a mãe dele, queria dar-lhe uma prenda e ele foi dizendo que mão queria nada. Como ela foi insistindo, acabou por dizer que há muito tempo tinha um sonho de um dia ter um cãozinho Shar pei. Visto que tinha insistido tanto, não teve coragem para recusar.
Pelos vistos ele já tinha o site sobre mim e meus irmãos debaixo de olho. Mal conseguiu o sim, a primeira coisa que fez, foi mostrar o site e respetivo vídeo comigo e os outros meus três irmãos ainda bebés. Todos ficaram apaixonados.
Depois de combinarem através de mail, lá foi ele, namorada e os pais para me verem. Foi um aaaaaaaaaaaah!... Quando me viram!
Mas que coisa linda!... - Exclamaram todos. Só pude ficar vaidoso. Não me puderam trazer logo, mas uma coisa era garantida, tinha-lhes caído no goto!
No dia marcado foram-me buscar. Tinha pouco mais de um mês. Era muito pequenino e cabia perfeitamente numa caixa de sapatos, e não era preciso ser um número muito grande! Vim no banco de trás do carro amparado pela namorada do meu dono. Quase desaparecia nas pregas do cobertor onde vinha aconchegado!
A minha história continua...
Entretanto o tempo foi passando e com ele vieram doenças quase todas de origem genética. Parece que a minha existência foi manipulada em laboratório. Nem tudo correu bem.
O equilíbrio entre a doença e a cura era muito ténue. Os medicamentos faziam muito mal, mas sem eles a doença galopava. Foi-me aguentando até próximo da velhice, mas um dia senti-me muito mal e com muitas dores principalmente nos ossos. Deixei de comer e o andar era com muita dificuldade. Não restou alternativa ao meu dono senão ajudar-me a morrer. Fui um cãozinho desejado, amado e acarinhado e apesar de tudo fui feliz. Tudo tem um fim e eu tive o meu. Um abraço canino.