BREVE APRESENTAÇÃO

Minha mãe deu-me à luz em casa assistida por uma parteira da aldeia, no mês friorento de Fevereiro. O resto da família estava reunido à volta da lareira à espera de notícias do quarto onde eu estava a nascer. Estavam em silêncio olhando uns para os outros. Esse silêncio foi interrompido com o meu choro ao darem-me a palmada habitual no rabo. Dizem que gritei bem. Não regateei o primeiro oxigénio da minha vida.
Nasci nesse Fevereiro um pouco distante. Como dizem as pessoas menos novas, é o mês dos gatos. Sou do signo de peixes. Não é por acaso que aprendi a nadar desde tenra idade e que me sinto como peixe na água!
A Póvoa de Lanhoso e mais propriamente Fonte Arcada, foram as terras que me viram nascer. São terras com algum peso histórico. Segundo rezam as crónicas, foi em Fonte Arcada que nasceu a famosa Maria da Fonte, de onde comandou a revolução na sua época conhecida pelo mesmo nome. É um mito para as gentes das terras de Lanhoso.
Póvoa de Lanhoso tem castros Ibero Celtas e um castelo onde D. Afonso Henriques fixou residência à sua mãe D. Teresa, após a batalha de S. Mamede. Se fosse hoje, chamar-se-ia prisão domiciliária.
Muito cedo parti para Angola com meus pais e irmãos.
Desde a idade juvenil que tenho a mania da leitura. Mal comecei a aprender a ler as primeiras palavras, logo iniciei a leitura de jornais, revistas e histórias de banda desenhada, principalmente livros de cowboys. Como não tinha dinheiro para comprar livros, frequentava as bibliotecas e trocava livros usados nos alfarrabistas pagando uma módica quantia. Li quase todos os velhos clássicos. Há pouco tempo atrás, concentrei as minhas leituras essencialmente em dois escritores: Frederick Forsyth e Colleen McCullough. Também gosto de poesia. António Gedeão e Fernando Pessoa são os meus poetas preferidos e também alguns poemas de Bertolt Brecht.
Era uma criança muito traquina e fiz muitas asneiras que me valeram algumas tareias.
Em relação aos estudos, sempre enfrentei desafios de vária ordem. Após a conclusão da instrução primária, estudei sempre à noite. Frequentei vários cursos de formação com intervalos demasiado grandes entre si.
Gosto de aprender coisas novas e principalmente estar a par das novas tecnologias sobretudo na área da informática. Não é por nada em especial, é apenas porque gosto. Nesta altura do campeonato da minha vida, já não luto para o título e nem sequer para o segundo lugar. Penso que me faço entender.
Quando for grande quero ser Economista ou Engenheiro Químico. Era o que dizia quando me perguntavam. Áreas completamente díspares uma da outra. Não sei por dizia que queria ser isto ou aquilo. Certo é que não fui uma coisa nem outra.
Gosto muito de música. Tenho um certo fascínio pela música africana. Talvez porque cresci naquela terra. Em relação às músicas, e como gosto de poesia, dou um certo valor às letras. Também aprecio uma boa melodia.
Gosto muito de viajar e escrever peripécias das viagens. Ainda acalento um sonho de um dia visitar a Austrália. Há algo que me fascina naquele país. Não é por acaso que gosto daquela escritora ex-médica australiana Colleen Mccullough. Ela retrata na perfeição o povo australiano desde os primórdios da sua história, através das personagens dos seus livros. Pássaros Feridos e Toque de Midas, best-Sellers internacionais são bem o exemplo disso. Ela escreve a gesta do seu povo de uma forma épica.
Cresci, estudei e trabalhei em Luanda. Não sei se por causa do signo, não consigo estar muito tempo afastado do mar. De-quando-em-vez sinto necessidade de me plantar numa praia qualquer, olhando aquela imensa superfície líquida até à linha do horizonte. Uns minutos desta contemplação faz-me relaxar aliviando qualquer ponta de stress que possa existir. Nesta terra pratiquei desporto, mais propriamente basquetebol num clube carismático da cidade de Luanda.
Acordando para o presente, vivo em Guimarães há já uns anos largos e eis que faço parte desta cidade de-alma-e-coração.



SER FELIZ

Sentir-me feliz é:
- Sentir de vez em quando uma alegria interior pela descoberta de coisas novas e boas, que podem ser familiares ou tecnologias, que me completem como pessoa.

- Passear, ler e escrever, ouvir música, aquela que me eleva para além de mim.

- Partilhar o amor e a amizade, olhar o mundo, olhar o mar que me acalma, sentir a arte e a natureza, vibrar com concertos de música, contar anedotas e rir.

- Estar na cama em dias friorentos e chuvosos, com a música da chuva batendo na vidraça, ou tomando café com a minha companheira, feito na nossa maquineta.

- Na cama no quentinho dos cobertores, vendo um filme com a minha cara-metade, e viver as emoções como se estivesse para lá do ecrã.

- Reviver o passado de África, Angola, Luanda, e sentir aqueles tempos como se estivessem a acontecer no presente.

- Regressar à terra onde nasci, descobrir as minhas raízes mais profundas, penetrar no passado da minha meninice, acordar a criança que há dentro de mim e dar conta do progresso da terra que me viu nascer.

- Sentir o aconchego familiar, o meu maior projeto de vida, sem o qual nada valeria a pena, e tudo ou quase tudo perderia significado.

- Ter amigos que nos ofereçam o seu ombro quando mais precisamos dele e nos preencham os vazios da alma.

- Ver e sentir que o filhote está ocupado e sobretudo dar conta que anda feliz.

- Ter alguém que nos ama, com quem podemos partilhar as mais diversas emoções e o dito projeto de vida.

- Ser feliz é tudo isto e muito mais.